domingo, 3 de janeiro de 2010

Produção biológica em Terras de Bouro

A agricultura moderna ou de mercado tem por principais objectivos a produção em grandes quantidades e a venda dos produtos no mercado para a obtenção do máximo de lucro. As práticas agrícolas deste tipo de agricultura provocam, frequentemente, a poluição dos solos e das águas, gerando desequilíbrios ecológicos e, por vezes, chegam a pôr em causa a própria Saúde Pública.
Como reacção a este tipo de agricultura surgiu, recentemente, em muitos países desenvolvidos a agricultura biológica. Trata-se de uma agricultura ecológica que, embora apoiada na investigação científica, recusa a aplicação de técnicas industriais, bem como a utilização de produtos químicos. A fertilização dos solos é obtida pela rotação de culturas e pela utilização de adubos naturais. A prevenção das doenças e das pragas é conseguida por intermédio de outros seres vivos, tanto de origem animal como vegetal.
No concelho de Terras de Bouro, felizmente, a agricultura praticada nunca ameaçou a poluição dos solos e das nossas águas. A aposta na produção de produtos biológicos não surgiu por uma necessidade ecológica, mas, principalmente, como uma alternativa que permita encontrar novas fontes de rendimento potenciando a fixação da população no nosso concelho.
As “Jornadas e Feira-Mostra de Produtos Biológicos” dinamizadas, nos dias 19, 20 e 21 de Maio, pela Câmara Municipal de Terras de Bouro foram mais uma contribuição para divulgar o nome da nossa Terra e mostram, da parte do Executivo Camarário, algum inconformismo na luta sem fim contra o isolamento e o êxodo.
Mobilizar os nossos agricultores para que adiram à produção de produtos biológicos, exige a sua formação sólida e a sua organização numa cooperativa que os represente e garanta o escoamento dos produtos biológicos produzidos. Sem uma cooperativa que represente os interesses dos futuros produtores biológicos, dificilmente se conseguirá uma revolução que opere uma intervenção profunda na agricultura do nosso concelho.
Espero que a produção biológica, não seja mais uma forma de “esbanjarmos” dinheiros da União Europeia que, ao serem mal utilizados não criarão, obviamente, a riqueza e o desenvolvimento desejado.
Gostava de ter fé e acreditar que a agricultura biológica contribuirá para o desenvolvimento do nosso concelho, criando uma nova dinâmica que permita aos agricultores uma nova possibilidade de obtenção de rendimentos realmente dignos.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Junho de 2006.

Fuga ao fisco

Constato, no que concerne ao IRS, que o imposto sobre o rendimento do trabalho subordinado impede as fugas ao fisco, mas aguça, no meu caso particular, o meu espírito crítico relativamente aos comportamentos fraudulentos que considero socialmente imorais.
A evasão fiscal, que verifico diariamente na sociedade ao meu redor, continua a ser uma prática constante. Os habilidosos e ousados prevaricadores, impunemente, prejudicam, simultaneamente, o progresso e a Justiça Social. Sou eu e todos os outros trabalhadores dependentes quem suporta uma parte significativa da nossa Despesa Pública. A injustiça resultante da colossal fuga tributária é, obviamente, brutal!
Escapam à “máquina fiscal”, por exemplo, os pequenos e grandes empresários. Falo daqueles que se passeiam em “brutas máquinas”, que constroem, sem o ouro e as pedras preciosas do Brasil, “casas barrocas” e mobiladas à D. João V e que, muitas vezes, têm os seus filhos a estudar nas Escolas Públicas beneficiando do Escalão A ou do B. Aqueles também cujos filhos se passeiam com telemóveis de última geração, com ténis e roupa de marca! Há outros, ainda mais atrevidos, que optam por colégios de nomeada! As declarações de rendimentos são objectivamente baixas, de pobres, mas exibem-se, ostensivamente, comportamentos de ricos! Todos nós sabemos que os médicos, os advogados, os engenheiros, os arquitectos, entre outros, também sabem, com “a ginástica dos números”, fazer as coisas!
Contudo, recentemente, o cruzamento de dados e a captura de faltosos parece ter conseguido alguns ganhos efectivos. Mas isso não aliviou a minha carga fiscal, assim como a carga fiscal sobre os pobres, mas apenas deu mais dinheiro ao Estado. Parece-me que o esforço feito pelo Governo do Primeiro-Ministro José Sócrates pouco melhorou a Justiça Tributária. As novas técnicas só tornaram mais eficaz o funcionamento de um sistema que continua a ser perverso e injusto!
Se reflectirmos sobre os impostos indirectos, de que é exemplo o IVA, o imposto sobre o tabaco e sobre os combustíveis, veremos que causam ainda mais injustiça tributária do que os impostos directos que atendem ao rendimento auferido por cada contribuinte como acontece com o IRS. Por exemplo, um Presidente de Câmara e um trabalhador que receba o salário mínimo, com rendimentos completamente diferentes, pagam a mesma quantia de imposto sobre um litro de gasolina. Entretanto, verifica-se, infelizmente, que em Portugal os impostos que agravam a injustiça fiscal são aqueles que estão a crescer cada vez mais!
De facto, que revejo-me ao lado da grande maioria dos cidadãos que continua a desesperar perante a ineficácia do Estado no cumprimento das suas tarefas sociais fundamentais. Interrogo-me sobre a boa aplicação dos meus tributos? Não tolero os desperdícios e os abusos que se cometem com os euros dos impostos que pago! Crescem ou não assustadoramente os desperdícios do Estado, nomeadamente nas nossas Autarquias onde, nem sempre, são bem aplicados os nossos tributos?
À “boa maneira portuguesa”, os Portugueses não têm receio do crime tributário: de “burlar o fisco” e de “fugir ao fisco”. Sabe-se que as leis penais fiscais não passam de letra morta. Será que aqueles que ludibriam o fisco (não) têm consciência da danosidade do seu comportamento tributário fraudulento?
"In this world nothing is certain but death and taxes". Isto é, nada no mundo é certo excepto a morte e o pagamento de impostos. Esta é uma das máximas mais conhecidas nos Estados Unidos e teve a sua origem numa frase de uma carta escrita em 1789 pelo então Presidente Benjamin Franklin.
Para mim, também é uma certeza absoluta a minha morte e continuar, “sem milagres” a fazer o pagamento dos meus impostos. No entanto, a discordância, a contestação, a luta pela mudança é um direito, acrescido, ao que julgo, para os que cumprem os correlativos deveres tributários, mas enquanto se procura mais e melhor Justiça Tributária não pode deixar de cumprir-se com as normas estabelecidas ainda que elas não sejam justas.
É um lugar comum afirmar-se que se todos pagarem os impostos que devem cada um poderá pagar menos. Duvido que a manter-se as regras actuais isso possa um dia vir a acontecer!
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Setembro de 2006.

Pequena lixeira na Vila de Terras de Bouro

Esta fotografia mostra uma lixeira a céu aberto que vai crescendo por detrás do muro de betão do Largo da Feira. Esta imundice em nada se assemelha à que existiu, em tempos de má memória, junto ao rio Homem. Contudo, neste local, as descargas de lixo e de entulhos vão-se fazendo repetidas vezes e o monte de lixo vai crescendo. O muro de betão vai escondendo em parte o lixo lançado lá do alto do bairro das Gordairas. Será possível estarmos no século XXI e permitir que isto aconteça?
A Câmara Municipal e a Guarda Nacional Republicana bem próximas deste local ou não vêem o lixo que aí tem sido lançado em quantidades significativas ou têm feito “vista grossa” ao sucedido. Os prevaricadores, “demónios” do Ambiente, esses vivem de consciência tranquila e vão fazendo crescer a lixeira sem qualquer admoestação.
Este cenário, este “belo exemplo”, infelizmente, não é único na freguesia de Moimenta. Multiplicam-se os lugares onde são lançadas “às resmas” quantidades significativas de lixo. No “Castanheiro do Sousa”, por exemplo, e noutros locais, principalmente ao longo das margens do Rio Homem, as pequenas descargas de lixo são uma constante. Graças aos inimigos da nossa paisagem, péssimos arquétipos de cidadania, a degradação do nosso Meio Ambiente vai acontecendo impunemente. Na praia da Casa Branca, desde o último verão que jaz depositada uma quantidade significativa de lixo à espera de ser recolhida. Talvez a Autarquia e a Junta de Freguesia estejam à espera da cheia porque a cheia também limpa! E se não vier a cheia?!
Temos na Vila de Terras de Bouro “Os Verdes” da Guarda Nacional Republicana que exigem o estrito cumprimento da lei, por exemplo, na queima das lenhas das podas dos nossos lavradores. Ai daqueles que são apanhados a queimar lenha sem licença!
Não façamos como a cegonha. Esperemos maior atenção das autoridades para que haja mais um bocadinho de respeito pelo Ambiente.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Fevereiro de 2006.

Encontro micológico em Terras de Bouro

A Vila de Terras de Bouro recebeu no dia 24 de Outubro a XV Festa do Cogumelo. Esta iniciativa foi organizada pelo clube “Aventura da Saúde” e pela Escola E.B. 2,3/S de Terras de Bouro.
Pelas dez horas, foi aberta ao público uma exposição, na Escola E.B. 2,3/S de Terras de Bouro, seguida da Palestra “Comer” cogumelos sem perigo para a saúde humana e ambiental. Foi feita por entendidos na matéria uma breve introdução aos cogumelos, nomeadamente, o reino a que pertencem e a sua importância para o equilíbrio do ecossistema. Também foi explicado o modo como se devem apanhar e os cuidados que se deve ter na sua identificação porque alguns são mortais.
Com almoço volante, os cerca de cinquenta participantes dirigiram-se para Cibões para a descoberta de cogumelos. A identificação de algumas espécies recolhidas foi feita por especialistas, tendo-se encontrado algumas “preciosidades”.
Este dia culminou com um jantar/convívio micológico, no restaurante Lua de Mel.
Publicado em 20 de Novembro de 2009

IX Feira-Mostra, S. Martinho nas Terras do Gerês

Nos dias 13, 14 e 15 de Novembro, realizou-se na Vila de Terras de Bouro a IX Feira-Mostra “S. Martinho nas Terras do Gerês”. Este certame, que já vai na nona edição, devia, prioritariamente, servir para divulgar o artesanato, os produtos agrícolas e a gastronomia do nosso concelho. Mas a divulgação das potencialidades económicas da nossa terra e a valorização dos produtos característicos locais da época não estão entre os objectivos primeiros o que pôde ser comprovado pelo número de stands expostos que continuam a ser, na sua esmagadora maioria, de outros concelhos.
Para além do reduzido número de stands com produtos da nossa Terra, quero destacar, pela negativa, a má localização dos stands aos produtores locais, nomeadamente dos produtores de Souto e Balança que foram “empurrados” para a periferia desta feira-mostra. Em frente à Casa Melo, nestes stands podíamos adquirir muitos dos produtos agrícolas produzidos no nosso concelho. Nota negativa à organização que não deu a estes agricultores o lugar de destaque que mereciam na Avenida Dr. Paulo Marcelino. Apesar da sua má localização, estes e todos os outros agricultores Terrabourenses esperam que o Município continue a apoiá-los, pelo menos, mantendo em funcionamento o Gabinete de Apoio ao Agricultor.
Deste evento, pela positiva, destaco o stand das “Termas de Moimenta” que prevê a sua abertura ao público, em Maio de 2010. António Martins, que viu o seu projecto aprovado antes das eleições autárquicas, acredita que a água minero-medicinal de Pesqueiras - Moimenta possibilitará mais saúde e mais bem-estar físico e psíquico. Por isso, não duvida de que as suas termas serão uma mais valia para o desenvolvimento do nosso concelho.
Devido às condições atmosféricas adversas, esta IX Feira-Mostra foi, globalmente, um fracasso. Exceptua-se o dia 14, dia da “Corrida de Cavalos” que atraiu muitos forasteiros. À noite, a actuação de Zé-Zé Fernandes foi um verdadeiro desperdício do nosso erário público. A meu ver dispensava-se porque as concertinas que se foram organizando espontaneamente, na Avenida Dr. Paulo Marcelino, “roubaram” muita assistência a Zé-Zé Fernandes. Foi verdadeiramente extraordinário! Tocou-se concertina até às das duas horas da matina. A chuva fustigava impiedosamente os stands, mas um grupo de jovens excepcionais de Carvalheira, dignos de ser vistos em cima de um palco, encarregou-se de fazer a festa até às tantas.
No dia 15, esperava-se que a Vila de Terras de Bouro se enchesse de gente e que as caixas registadoras adquirissem um ímpeto renovado. Mas tal não veio a verificar-se e todos nós Terrabourenses ficámos a perder. Até a “Chega de Bois” teve de ser adiada para o próximo dia 22 de Novembro e, acima de tudo por culpa de S. Pedro, esta Feira-Mostra foi um verdadeiro fiasco.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Novembro de 2009.

Vileos Nature Resorts

Álvaro Almeida nasceu em Guimarães e estudou, em Lausanne, na Suíça, na melhor Universidade de Hotelaria do Mundo. Com apenas 27 anos, este jovem empresário ambiciona implantar um projecto turístico de grande envergadura no nosso concelho. A prová-lo estão os números: um investimento na ordem dos 25 a 30 milhões de euros e a criação de 55 empregos permanentes. Criar-se-ão, ainda, outros empregos porque muita gente da terra trabalhará directa ou indirectamente ligada a este empreendimento turístico. Neste “projecto de vida”, acompanham-no o jovem arquitecto Pedro Balancho e, também, o professor João Madeira, este último sobejamente conhecido de muitos de nós terrabourenses.
Com o projecto “Vileos Nature Resorts”, propõe a edificação de um hotel de cinco estrelas em S. João do Campo, próximo da barragem, na antiga pedreira. Este projecto que foi estudado por uma equipa da Universidade de Lausane, ao longo de um ano, já foi apresentado à Autarquia e ao Parque Nacional Peneda Gerês de quem se espera brevemente luz verde.
Trata-se de um projecto integrado, com potencialidades para se um importante pólo de desenvolvimento concelhio sustentável, com inestimáveis benefícios não apenas para as populações de S. João do Campo, mas para todo o concelho.
É um projecto turístico que pretende ser social, mas que preserve o equilíbrio com a natureza. Álvaro Almeida garante à reportagem de “O Geresão” de que com este hotel se procurou uma relação harmoniosa entre a arquitectura e a natureza. “A arquitectura é feita com os materiais da zona. Todo o projecto passa pelo seu enquadramento no local porque a nossa janela é a Serra Amarela.” Não tem impacte ambiental porque todo o hotel é alimentado por energias renováveis e todos os veículos serão eléctricos. “Faremos o tratamento das águas, dos resíduos e, também, a reciclagem.”
Álvaro Almeida quer apostar, também, na preservação e implementação da agricultura biológica. Por isso, o hotel terá uma quinta biológica e procurará auto-sustentar-se. “Produziremos os nossos próprios alimentos e promoveremos os produtos locais. No concelho de Terras de Bouro, temos, certamente, entre outros, o melhor mel e a melhor carne barrosã e o melhor cabrito. Por isso, colaboraremos com os produtores de chás, de mel e outros promovendo, também, os produtos naturais desta região. Gostávamos que este hotel fosse uma montra do Parque Nacional servindo, também, como um espaço de educação ambiental. Este projecto só faz sentido com o desenvolvimento da consciência ecológica e ambiental.” Sublinha Álvaro Almeida que S. João do Campo é um espaço único e, por isso, não pretende fazer um turismo semelhante ao do Gerês.
Este projecto também foi construído de modo a pensar num projecto comunitário. Por isso, propõe-se transpor a aldeia comunitária de Vilarinho para o hotel de cinco estrelas. “Pretende-se documentar, principalmente, a vida de Vilarinho da Furna, nas suas semelhanças e diferenças com a dos outros povos da região. Os nossos potenciais turistas querem visitar Vilarinho, aprender com a população a cultivar a terra, querem levar daqui uma aprendizagem. O nosso turista aprenderá com a recriação da vida comunitária de Vilarinho da Furna que queremos oferecer neste hotel.”
Tal como Miguel Torga “a beleza disto é preservar o que está!” Por isso, “teremos um turismo com uma paisagem excelente. Do nosso hotel não se verá uma única casa e a lagoa de Vilarinho manter-se-á sem barcos.”
Para este jovem empresário, que já tem parcerias com a Universidade de Aveiro e com a Universidade Nova de Lisboa, a Furna é um parceiro fundamental neste processo de valorização etnográfica. “Nós preservaremos o local e respeitaremos a forma como os de Vilarinho viviam, exemplarmente, em harmonia com a natureza.”
Tem consciência de que sozinho não conseguirá levar a bom porto este projecto. Sabe que a Autarquia quer qualidade, o Parque Nacional quer a preservação da natureza e a população local tem os seus direitos.
Quem visitar Terras de Bouro e, em particular a área do Campo do Gerês, virá conhecer parte da história de uma comunidade, virá ver a natureza e virá aprender a viver com ela. Por isso, “é necessário o envolvimento da população e de todas as instituições para o sucesso do nosso hotel. Juntos teremos todos a ganhar.”
Mas esta unidade hoteleira só será possível com a parceria da Autarquia, do Parque Nacional Peneda Gerês, da Junta de Freguesia e com outras entidades privadas, nomeadamente com o Parque de Campismo das Cerdeiras. Sem o apoio, principalmente do Parque, da Autarquia e da população local terá muitas dificuldades em implantar-se no concelho.
Álvaro Almeida garante que é possível fazer turismo todo o ano. Para tal, criará estratégias de organização. “Queremos, por exemplo, trazer empresas que venham fazer formação ao nosso espaço.”
Este jovem empresário tem consciência de que sem qualidade não conseguirá rivalizar com os Pirenéus, com as montanhas da Escócia e com outros destinos turísticos. “Se queremos vender um produto é porque ele tem riqueza e qualidade. Nós seremos, apenas, mediadores para que os turistas o possam usufruir”.
Já fez estudos de mercado e o turismo que querem oferecer está direccionado para o mercado nacional e, em particular, para o de Lisboa. A procura também virá do mercado nórdico.
Todos estão de acordo. Tanto Álvaro Almeida, como a Autarquia, como o Parque Nacional pretendem um turismo de qualidade, mas que não atente contra a natureza. Assim, o hotel que vier a ser implantado não poderá ferir a paisagem nem poderá causar impacto no ambiente.
Entretanto, há uma conjugação de esforços. A Câmara tem um espaço disponível e já decidiu concessioná-lo. Por isso, espero que o projecto “Vileos Nature Resorts” frutifique rapidamente e traga “o renascimento de uma nova comunidade”. Se assim for, virão, certamente, muitos turistas e muitos postos de trabalho para o nosso concelho.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Setembro de 2009.

VII Encontro de Tocadores de Concertinas

Realizou-se, no dia 31 de Maio último, o “VII Encontro de Tocadores de Concertinas”.
Milhares de pessoas rumaram à Vila de Terras de Bouro para assistir a este grande encontro de tocadores de concertina e, também, de cantares ao desafio. Foi um verdadeiro “mar de gente” que, durante mais de seis horas não arredou pé, apesar do sol escaldante. Mas o momento mais alto deste encontro foi protagonizado pelo recentemente eleito eurodeputado José Manuel Fernandes que subiu ao palco e não deixou os seus créditos por mãos alheias mostrando os seus dotes de tocador de concertina.
Este evento, que juntou cerca de duas centenas de tocadores de concertina e muitos cantadores ao desafio, foi organizado pela Câmara Municipal de Terras de Bouro e pela Rádio Voz do Neiva. Deste encontro, há a destacar, ainda, a apresentação oficial da Associação de Tocadores de Concertina de Terras de Bouro recentemente constituída. João Baptista, António Baltasar e José Manuel os principais mentores e impulsionadores pretendem, com a criação desta associação, juntar os tocadores locais dos Vales do Homem e Cávado, num total de 60 elementos.
De facto, a concertina, na nossa terra, quando chega arrasa! É, certamente, o instrumento musical que a maior parte dos terrabourenses mais aprecia. Para além de ser tradicional, barulhenta e imponente a concertina é portadora, acima de tudo, de muita e muita alegria e também de muito e de muito entusiasmo.
Nas Festas de Agosto, por exemplo, quando as concertinas tocam, podemos constatar que o brilho do olhar do nosso povo cresce, as pessoas animam-se, formam rodas e dançam. Dançam, espontaneamente, numa verdadeira roda-viva. E uma multidão enorme delicia-se horas e horas e dias e dias a fio com tão singular e tão belo espectáculo!
Numa sociedade cada vez mais individualista, triste e consumista a música da concertina poderá ter cada vez mais um papel fundamental na inversão desses valores. Acredito que este instrumento musical pode ajudar a valorizar a nossa música tradicional, recriando-a e revelando os seus encantos bem longe do barulho ensurdecedor das músicas, entre outras, de discoteca e “pimba”.
Para todos nós minhotos e para preservarmos os nossos valores culturais, espero que as desgarradas, as concertinas e a música popular em geral ganhem cada vez mais adeptos e espaço principalmente no seio da nossa juventude.
Entretanto, felicito a nova direcção da recente Associação de Tocadores de Concertina de Terras de Bouro a quem desejo os maiores êxitos para bem da concertina, da nossa música tradicional e dos nossos jovens.
Estou certo que esta associação, ao ensinar a tocar concertina aos mais novos, contribuirá para que os nossos jovens tenham cada vez mais orgulho e gosto pela música e pela nossa cultura popular.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Junho de 2009.

Comandante Faria, um voluntário de corpo e alma


Ser socorrista significa trabalhar ou desempenhar uma função sem intuito de retribuição financeira ou outra. Também significa estar sempre disponível para todas as tarefas que lhe são propostas ou confiadas. É neste contexto que o nosso entrevistado se integra. O espírito de entreajuda, a solidariedade, o altruísmo e o labor desinteressado constituem os valores por excelência do Coordenador da Delegação da Cruz Vermelha de Terras de Bouro.
Em 1985, Manuel António de Sousa Faria aderiu como voluntário à Cruz Vermelha de Terras de Bouro, tendo integrado a segunda incorporação recebendo formação num grupo constituído por 12 ou 13 recrutas. Nessa altura, o Núcleo da Cruz Vermelha de Terras de Bouro estava a dar os seus primeiros passos. Era comandado por Francisco José Machado de Sousa, primeiro comandante, infelizmente, já falecido. Nessa época, o núcleo contava, apenas, com 12 socorristas formados na primeira escola.

Em 1994, Manuel António de Sousa Faria, por ser o mais graduado, tornou-se o terceiro comandante do Núcleo Local da Cruz Vermelha e passou a ser o responsável pelos serviços activos, ambulâncias, instrução, exercícios, ou seja, pelo corpo activo dos voluntários.

Na família do comandante Faria todos são socorristas: a esposa, o filho, a filha e a nora.

Voluntário de corpo e alma, assim como toda a família, nunca esperou da Cruz Vermelha qualquer contrapartida, dando conjuntamente com a família o seu melhor para proteger a vida e a saúde de todos os terrabourenses e não só.

Ao longo destes anos, foram muitas as noites mal dormidas e teve, muitas vezes, de pôr dinheiro do seu bolso para, entre outras despesas, suportar deslocações e telefonemas. A esta opção de vida acrescem, ainda, as privações que a família teve de suportar para que a Cruz Vermelha de Terras de Bouro não tivesse percalços de funcionamento. Com um sorriso no rosto, a serenidade e a simplicidade que todos nós lhe reconhecemos afirmou à reportagem de “O Geresão” que “o comandante é o bombeiro da Cruz Vermelha porque quando alguém falha ou falta avança de imediato o comandante”.

Actualmente, está de serviço das 24 horas às 8 horas da manhã, excepto às quartas e às segundas-feiras. Ainda faz escalas às terças-feiras, às vezes, aos sábados e aos domingos. Aos 67 anos o nosso valoroso comandante não desanima. Tem consciência de que são muitas horas de serviço, mas continua firme no seu posto.

O comandante Faria já recebeu as medalhas de mérito da Cruz Vermelha. Conta já com a de bronze, a de prata e a de ouro por comportamento exemplar. O facto de estar aposentado deu-lhe, ainda, mais tempo para prestar mais apoio à Cruz Vermelha local.

A Cruz Vermelha de Terras de Bouro é uma das 186 delegações nacionais e conta, actualmente, com muitos socorristas jovens, mas necessita de mais voluntários.

Para além da falta de recursos humanos, o comandante Faria preocupa-se continuamente, também, com a escassez de dinheiro. A falta de recursos financeiros vai sendo contornada com peditórios, com rifas e com a ajuda da Autarquia que costuma suportar um terço do custo de cada ambulância. “Os apoios são poucos, o meio é pobre. Sem grandes comércios e sem indústria torna-se difícil encontrar patrocínios. Às vezes, as pessoas perguntam-nos para que querem o dinheiro se vocês não ganham? Esquecem-se das nossas despesas! Não se lembram de que temos de pagar, entre outros, telefone, luz, pneus, gasóleo. Acresce, ainda, a manutenção das ambulâncias que não é nada barata. Há dias, fizemos a revisão da Mercedes e gastámos 1200 euros. Para a revisão dos 200 mil kilómetros da ambulância de emergência, a Volkswagen, recentemente, apresentou-nos um orçamento de 4500 euros. São despesas que se tornam incomportáveis. Hoje, contamos com três ambulâncias: uma de emergência e duas de transporte. Às vezes, são usadas as três, havendo dificuldades em satisfazer o serviço. Precisávamos de mais uma viatura para termos a resposta certa e ideal. Mas cada ambulância custa-nos à volta de 40 mil euros”.

Relativamente às instalações o comandante Faria considera-as razoáveis, embora um pouco pequenas. A Câmara fez melhoramentos encontrando-se agora as infra-estruturas com muito melhores condições.

Manuel Faria considera que a Autarquia tem ajudado naquilo que pode, mas o Poder Central vai-se esquecendo da Cruz Vermelha. “Tudo o que nós fazemos é por amor à camisola, devíamos ter, ainda, mais ajudas e incentivos. Por exemplo, os Bombeiros não pagam taxas moderadoras porque pertencem ao Ministério da Administração Interna e nós pagamos porque pertencemos aos Ministério da Defesa”.

O comandante Faria apela ao bom senso das pessoas. “Compreendam-nos e respeitem-nos mais um bocadinho”. Sublinha que alguns cidadãos não têm formação e consciência social e, por isso, “fazem-nos exigências, confundem-nos até com funcionários públicos”. Algumas pessoas costumam dizer: “se o Estado não paga, que vos pague!”

Considera a mentalidade da gente de outras terras, nomeadamente da gente de Amares mais aguerrida, solidária e voluntária. “Quando vim morar para Terras de Bouro constatei que as pessoas eram mais individualistas e com falta de tempo. Aqui, as pessoas cansam-se muito depressa!”

O comandante Faria está a prever uma nova incorporação, talvez para 2010. Da última recruta, já só restam metade dos voluntários para trabalhar na Delegação porque umas ficaram grávidas, outros desistiram, outros mudaram de residências e outros, ainda, abandonaram.

Confidencia-nos que o custo médio por recruta é elevadíssimo. “Por exemplo, o fardamento custa mais de 250 euros e se o multiplicarmos por vinte recrutas dá-nos uma despesa significativa”. Receia que a próxima recruta possa estar comprometida se não conseguir arranjar financiamento para as novas fardas. Conta com o apoio da Câmara Municipal e, certamente, com um reforço maior de verba, mas terá de procurar outros meios para conseguir o dinheiro indispensável. Informa a nossa reportagem que a idade para participar na recruta é dos 18 aos 45 anos ou 16 anos com autorização dos pais e escolaridade obrigatória.

Em sua opinião, é essencial que o voluntário da Cruz Vermelha tenha as seguintes características: respeito e tolerância, capacidade de adaptação e de aprendizagem, iniciativa, atitude solidária, empatia, compromisso e capacidade de trabalhar em equipa. Mas as qualidades de um socorrista passam por ter vontade e disponibilidade para ajudar o próximo e deve ser, acima de tudo, uma pessoa responsável. Ao comandante compete-lhe ser calmo e com muito sangue-frio para comandar uma delegação. Para além de ser necessária uma paciência muito grande é preciso também ter um estômago enorme para “engolir muitos sapos”.

Já socorreu muitas pessoas. Algumas delas embriagadas. Uma das histórias caricatas de que se lembra foi ter prestado socorro a um motociclista que chocou, numa curva, contra uma carrinha que circulava em sentido contrário. O motociclista despistou-se, caiu numa leira e desmaiou. O dono da carrinha ao pressentir o embate, travou e outro automobilista bateu-lhe na traseira. Mas o proprietário da carrinha não conseguiu responsabilizar o motociclista “porque este vinha com tanta força que desapareceu numa recta”. Mal ele sabia que o motociclista se tinha despistado e jazia desmaiado numa leira.

A divulgação da Delegação da Cruz Vermelha na Internet ainda não é possível porque não dispõe de blog ou de sítio. Há 20 anos atrás, foi publicado, bimensalmente, o jornal “O Solidário”. Feito pelo Dr. Joaquim Cracel Viana e por voluntários que, infelizmente, já não estão ao serviço nesta delegação da Cruz Vermelha. “Era a nossa voz local”. Nessa altura, havia muitos jovens socorristas e cada um dava uma notícia e editava-se facilmente o jornal. Recorda com saudade que, às vezes, a camarata tornava-se pequena e alguns dos jovens chegavam a dormir nas ambulâncias.

As confraternizações, tais como, a Ceia de Natal, o magusto e convívios continuam a ser feitos. A Coordenação de Terras de Bouro também coopera com as delegações da Cruz Vermelha de Rio Caldo e do Gerês. “Ainda recentemente participámos num simulacro no Terreiro de S. Bento”.

Para o comandante Faria, a Professora Maria Venusina e o Dr. José Araújo foram as pessoas mais marcantes para a Delegação da Cruz Vermelha de Terras de Bouro. “Estamos-lhe muito agradecidos a ambos. Foram grandes amigos da Cruz Vermelha”.

Mas para que a solidariedade seja cada vez mais efectiva na nossa terra é necessário que ela se torne cultura. O caminho para o fazer é o investimento cada vez maior na educação dos nossos jovens para os valores de solidariedade. Também é necessário apoiar a dinamização comunitária.

Entretanto, reconheçamos o trabalho solidário e discreto do comandante Faria que se dá desinteressadamente aos terrabourenses e, em particular, à Cruz Vermelha.

Obrigado, comandante!
José Guimarães Antunes
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Maio de 2009.

João Luís Dias, o Poeta da Montanha

Depois do enorme sucesso da primeira apresentação realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Terras de Bouro, no dia 22 de Novembro de 2008, João Luís Dias, escritor e presidente da direcção do Clube de Autores Minhoto-Galaicos (Calidum) apresentou, na Fnac - Braga, no dia 12 de Março, pelas 22 horas, a sua obra mais recente – “Um poema, uma flor”.
O espaço Fnac encheu-se para acolher a poesia simples, bela e livre da influência de correntes literárias. Mas para que haja grandes escritores e poetas é preciso também que haja um grande público. E disso o nosso “Poeta da Montanha” não se pôde queixar.
“Um poema, uma flor” reúne trinta e cinco poemas extraídos do descarne íntimo e sincero do nosso escritor terrabourense. Os versos sem concessões a rima ou a deslumbres formais caracterizam o estilo do nosso “Poeta da Montanha”. Ilustram esta obra poética dezassete maravilhosas fotos de Sun Lam, de Pequim, directora do Instituto Confúcio – Universidade do Minho. Ao folhearmos o livro deleitamo-nos com fotos de ventres de flores, quase todos de evocação da mulher, saídos da simplicidade dos sentidos.
No espaço Fnac, a obra “Um poema, uma flor” foi, novamente, apresentada por Costa Guimarães, jornalista do “Correio do Minho”, que a considerou uma combinação perfeita entre a poesia e a natureza tendo sublinhado, mais uma vez, que “os homens normais fazem prosa e os homens singulares fazem poesia”. Quem não concorda com Costa Guimarães? Na verdade, a criação poética é um mistério indecifrável e que não está ao alcance da maior parte do comum dos mortais. A arte da criação poética não se aprende nos livros e não pode ser ensinada. Não se conhecem receitas para ensinar a composição de um verso ou de um poema.
De facto, os poetas são nossos mestres, nós que somos homens vulgares, e bebem em fontes que nos estão vedadas a todos nós. E um grande poeta, de acordo com o escritor inglês Gilbert Chesterton, “existe para mostrar ao homem pequeno o quanto ele é grande”.
Para mim, João Luís Dias é um grande poeta que deve orgulhar-nos a todos nós terrabourenses! Vou mais longe e ouso dizer que João Luís Dias é um «pastor do Ser», na tão bela expressão de Heidegger.
De facto, a sua sensibilidade estética revela-nos o “Ser” e o encanto do que, sem ele, para nós não seria. Bem haja ao nosso “Poeta da Montanha”, aos seus versos e ao seu grande amor pela poesia e pela cultura!
Obrigado, João Luís. Tão só: muito obrigado por partilhares connosco a tua inspiração, o teu talento e os teus poemas!
20 de Abril de 2009

Um homem de carácter

No dia sete de Março, Manuel Alegre, em entrevista ao semanário “Expresso”, afirmou que avançaria com uma candidatura contra José Sócrates se os movimentos de cidadãos pudessem candidatar-se ao Parlamento. Fá-lo-ia contra o “status quo” e a favor de uma renovação da democracia, reafirmando que a possibilidade de candidaturas independentes às eleições legislativas é um dos seus “objectivos políticos”.
José Lello não gostou das palavras de Manuel Alegre e, em declarações ao “Jornal de Notícias”, afirmou que é tempo de dizer “basta!”. O secretário nacional do Partido Rosa foi mais longe ao afirmar que estava convencido de que as votações de Manuel Alegre na Assembleia da República “não são motivadas por razões de consciência, mas de agenda política”.
Às declarações de José Lello, respondo com a biografia de Manuel Alegre. Este poeta e político nascido em Águeda, em 12 de Maio de 1936, estudou na Faculdade de Direito de Coimbra, onde participou activamente nas lutas académicas. Cumpriu o serviço militar na guerra colonial em Angola. Nessa altura, foi preso pela polícia política (PIDE) por se revoltar contra esta guerra. Após o regresso exilou-se no norte de África, em Argel, onde desenvolveu actividades contra o regime de Salazar. Em 1974 regressou, definitivamente, a Portugal, demonstrando, nos vários cargos que desempenhou uma intervenção fiel aos ideais da Liberdade. A sua poesia foi e é um hino à Liberdade e, talvez seja por isso que é lembrada por muitos resistentes que lutaram contra a ditadura. É considerado o poeta mais cantado pelos músicos portugueses, designadamente Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Luís Cília, Manuel Freire, António Portugal, José Niza, António Bernardino, Alain Oulman, Amália Rodrigues, Janita Salomé e João Braga.
Da sua biografia destaco, ainda, a sua candidatura à Presidência da República Portuguesa, em 22 de Janeiro de 2006, tendo recolhido mais de 20% dos votos totais apesar de não ter beneficiado do apoio de nenhum partido político. Manuel Alegre que obteve 20,72% dos votos não conseguiu evitar a vitória à primeira volta de Cavaco Silva, mas conseguiu uma vantagem de cerca de 6% dos votos expressos sobre Mário Soares, candidato oficial do Partido Socialista.
Manuel Alegre “entornou o caldo” a partir de Setembro de 2005, quando anunciou a sua candidatura às eleições para a Presidência da República. O “Poeta da Liberdade” tem lutado contra o despotismo, contra a arrogância e contra os tiques de autoritarismo em que mergulhou o actual Partido Socialista. É de facto uma voz incómoda no seio do partido. Ainda recentemente afirmou na SIC Notícias que “há qualquer coisa que está errada neste PS quando temos tanta gente no limiar da pobreza e aparecem tantos milhões para salvar o Banco Privado Português, um banco que administra fortunas!”. Três dias depois, na RTP, declarou que “este Partido Socialista não é propriamente aquilo que eu quero”.
Apesar de frequentes intervenções nas quais chegou a insinuar a possibilidade da formação de um novo partido político à esquerda do Partido Socialista, Manuel Alegre tem permanecido nas fileiras do seu partido e do seu grupo parlamentar. Esta escolha não o tem impedido, porém, em diferentes ocasiões, de alinhar o seu voto com os dos partidos da oposição contra a orientação política do seu próprio partido. Ainda há bem pouco tempo votou ao lado da oposição a suspensão das taxas moderadoras na Saúde tendo explicado em declarações à TVI que votou contra o actual regime porque ele constitui uma “punição” para os doentes.
Como o Partido Socialista não consegue amordaçar Manuel Alegre, o mal-estar no seio do Partido Rosa está para durar. Mas será que José Lello tem razão ao considerar que as declarações de Manuel Alegre já "começam a raiar a falta de carácter"?
Será, também, que José Lello, em Junho do ano passado, teve razão quando acusou Manuel Alegre de "parasitar" as jornadas parlamentares do PS nos Açores?
A todos aqueles que dizem que a atitude do histórico socialista "começa a raiar a falta de carácter" quando estamos perante um homem corajoso e de carácter eu contraponho: “Por qué no te callas?”
A todos os que ousam dizer que um homem com um currículo como o de Manuel Alegre “parasitou as jornadas parlamentares do PS” eu pergunto: não será isto mais um disparate?
Entretanto, “a guerra” entre José Lello e Manuel Alegre está para durar e é tempo de todos os Socialistas aceitarem as críticas.
Todos nós Portugueses sabemos que com Manuel Alegre nunca funcionará a “lei da rolha” e, também, sabemos que a sua atitude tem contribuído para o desenvolvimento da cidadania e para o fortalecimento da sociedade civil portuguesa melhorando assim a qualidade da própria democracia.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Março de 2009.

Entre o Homem e a Amarela

No dia 31 de Janeiro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Terras de Bouro, Manuel da Silva Martins, apresentou a sua obra “Entre o Homem e a Amarela – Gondoriz – Subsídios para a sua história”.
Presidiu à cerimónia de apresentação o Presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro que considerou esta monografia sobre Gondoriz uma obra de grande valor histórico para a freguesia e, também, para a história do nosso concelho. Para António Afonso, Manuel da Silva Martins “é, acima de tudo, um excelente amigo da terra que merece todo o nosso apreço e admiração”. O Autarca encerrou a sua intervenção agradecendo ao presidente da “Calidum”, João Luís Dias, todo o trabalho e empenho por si realizado em prol da cultura e do concelho de Terras de Bouro.
O Professor Viriato Capela que fez a apresentação desta monografia começou por afirmar que “esta foi escrita com muito amor e paixão à terra”. Enalteceu a qualidade da obra e garantiu que esta será acarinhada e estimada por todos os terrabourenses.
Finalmente, o autor, Manuel da Silva Martins, agradeceu a todos os que contribuíram para a realização desta monografia, especialmente a Susete Ferreira, ao fotógrafo Pedro Guedes, ao Professor Viriato Capela, à “Calidum”, aos músicos e aos patrocinadores (Câmara Municipal de Terras de Bouro e Junta de Freguesia de Gondoriz). Agradeceu, ainda, à freguesia de Gondoriz toda a sua riqueza histórica e tradicional. Foi por si sublinhado que com a realização deste trabalho procurou promover a elementar justiça de obviar o esquecimento a que tem sido votada. “Fazer sair a freguesia de S. Mamede de Gondoriz do asfixiante anonimato a que tem sido arremessada e que, de uma forma significativa, tem contribuído para que esta terra não tenha atingido ainda um nível admissível de progresso que os seus habitantes, por uma questão de ética e de justiça lhes assiste” este foi um dos objectivos a que se propôs.
Com este sublime "grito de ipiranga", Manuel da Silva Martins espera conseguir estimular os gondoricenses a admirarem ainda mais a sua terra natal. E tal como D. Pedro, Manuel da Silva Martins percebeu que chegou a hora do "chega" ou do "basta" de tantos de esquecimento.
Parabéns a este gondoricense que muito honra a sua terra e o nosso concelho.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Fevereiro de 2009.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Um poema, uma flor

João Luís Dias, escritor e presidente da direcção do Clube de Autores Minhoto-Galaicos (Calidum) apresentou, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Terras de Bouro, no dia 22 de Novembro, pelas 16 horas, a sua obra mais recente – “Um poema, uma flor”.
Com prefácio do músico e cantor Pedro Barroso que lhe chama o “ Poeta da Montanha” e que “vive para criar beleza nas palavras e nos sons e para musicar a fala e amar o amor” esta é mais uma obra em que o talento e a “veia poética” deste terrabourense se revelam mais uma vez.
O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Terras de Bouro encheu-se nesta apresentação que foi presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro. António Afonso felicitou João Luís Dias como presidente da direcção “Calidum”, como autor e como poeta. O edil reconheceu e agradeceu o trabalho da “Calidum” em prol da promoção da cultura e garantiu o apoio do Município ao Clube de Autores Minhoto-Galaicos.
Nesta cerimónia usaram, ainda, da palavra o alcaide de Lobios que afirmou sentir-se em casa e para quem “a Portela do Homem nunca existiu”. Posteriormente, Sun Lam, de Pequim, directora do Instituto Confúcio – Universidade do Minho, referiu-se “ao amor que sente por este povo e por este país” e, finalmente, Costa Guimarães, jornalista do jornal “Correio do Minho”, sublinhou que “os homens normais fazem prosa e os homens singulares fazem poesia”. Este jornalista bracarense considerou “Um poema, uma flor” uma combinação perfeita entre a poesia e a natureza. Sublinhou, ainda, que “é um livro de grande beleza e muito especial”. Felicitou o poeta terrabourense e também Sun Lam, a autora das “belíssimas fotografias”. Antes de terminar a sua intervenção, convidou os presentes a lerem em coro um dos poemas desta obra: “A prenda”.
“Um poema, uma flor” ” reúne 35 poemas e é a quarta obra deste poeta terrabourense, redactor do jornal “O Geresão”, que publicou em 1988, 1992 e 2005, respectivamente, as obras intituladas “Ecos dum silêncio”, “Sonho em Hora de Ponta” e “Antes que o Tinteiro Entorne”.
Para João Luís Dias, “um poema é uma flor e uma flor é um poema”. De facto, só está ao alcance daquele que ama a poesia a livre interpretação e recriação de cada verso e de cada poema. Recordo Platão para quem “o poeta canta, mas não ensina. E que ele mesmo não pode explicar o mágico e sublime conteúdo dos seus versos alados”.
O nosso “Poeta da Montanha” encerrou esta cerimónia com um agradecimento a todos os presentes e, em particular, à Autarquia e à empresa Arlindo Correia e Filhos porque a “sobrevivência da “Calidum” depende dos patrocínios que vai recebendo. Prometeu para breve um romance que, certamente, irá deliciar os terrabourenses.
Força João Luís! Parabéns!
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Dezembro de 2008.

“Uma verdadeira pista!”

A estrada E.N. 205 sofreu obras de beneficiação entre Rendufe, concelho de Amares, e a Vila de Terras de Bouro, numa distância de 16,3 km. Esta obra da responsabilidade do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações foi projectada e fiscalizada pela Rede de Estradas de Braga e a sua execução coube à empresa URBANOP - Urbanização e Obras Públicas, tendo custado aos cofres do Estado 1.306.271.54 euros.
A nossa estrada recebeu, finalmente, um tapete novo de asfalto, valetas para o escoamento e drenagem de águas pluviais, sinalização vertical metálica, rails duplos para protecção dos motards, centenas de metros de passeios, passadeiras, linhas de marcação contínuas fundamentais para a segurança dos automobilistas, abrigos novos nas paragens dos autocarros e até corrimões para protecção e segurança dos peões.
Não tenho dúvida de que esta melhoria proporcionará uma maior facilidade de deslocação, possibilitará uma maior segurança e contrariará a tendência para o nosso isolamento. Esta “porta de entrada” no nosso concelho é de fundamental importância para a circulação de pessoas e bens, com grandes vantagens para o desenvolvimento social e económico do nosso município, principalmente, na área do Vale do Homem.
Com este investimento, o Governo central deu um grande contributo para o nosso desenvolvimento, melhorou significativamente as condições de segurança e reduzu a distância-tempo entre a sede do concelho e a capital de distrito.
Desta vez junto-me ao coro. Parabéns à EP - Estradas de Portugal, S.A.!
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Setembro de 2008.

A violência na Escola

A repetição excessiva, nos Media, do vídeo em que uma aluna da Escola Secundária Carolina Micaelis, no Porto, disputou com uma professora o telemóvel que lhe tinha sido apreendido levou a que se fizessem, em todos os meios de comunicação social, muitas afirmações sendo, a maior parte delas, pouco pertinentes. Falou-se da "crise" de Maio de 1968 que começou por ser uma contestação estudantil francesa e teve réplicas nos demais países desenvolvidos, “dos eduquês” como ideologia pedagógica, da democracia e da ditadura, da esquerda e da direita, de variadíssimas ideologias pedagógicas e de muitas correntes filosóficas sobre a Educação. Foram muitas as reflexões e os comentários dos "opinion makers" a desfilar, principalmente, no pequeno écran!
Este incidente com o telemóvel, “arma indolor”, não devemos considerá-lo pontual mas, também, não podemos exagerá-lo. Só teve importância e visibilidade porque foi gravado com um telemóvel e disponibilizado no “YouTube”. Este episódio não é mais do que um problema entre outros, não se devendo cair na tentação de se fazerem generalizações. E contra os que consideraram as escolas lugares pouco seguros e sem autoridade, quero afirmar que as escolas que conheço são, em geral, os locais mais seguros da comunidade. A repetição exacerbadíssima deste caso, numa atitude alarmista e despropositada em nada ajudou nem ajudará a resolver os problemas das nossas escolas. Quando o Senhor Procurador Geral da República, Pinto Monteiro, veio a público afirmar que “os alunos vão armados para as escolas com pistolas 6,35 e com facas”, depreendemos que as escolas funcionam como "embriões de violência". Riscar automóveis, extorquir dinheiro com arma branca a colegas, levar 6,35 para se defender ou intimidar os pares serão incidentes pontuais? Será que podemos desvalorizar as declarações do Senhor Procurador Geral da República? Será que estaremos a chegar ao dia em que os alunos só entrarão na escola depois de passarem por um detector de metais, como acontece em muitos estabelecimentos de ensino dos Estados Unidos?
Relativamente à violência em meio escolar, em Portugal, não existia, até há pouco tempo - e continua a não existir de forma sistemática - qualquer investigação que caracterize com relativa exactidão o que se passa nas escolas neste domínio. Dos estudos que conheço, nenhum deles foi realizado no sentido de caracterizar comportamentos, contextos e pessoas envolvidas em situações consideradas violentas no meio escolar.
Mas estará a Escola Pública a viver uma crise de valores? Teremos uma Escola Pública “morangos com açúcar”?
Pela minha experiência, ouso afirmar que as Escolas Públicas não são violentas e tanto os professores como os conselhos executivos têm todas as condições para reportar os incidentes ocorridos. Não podemos misturar casos de criminalidade com casos de indisciplina escolar. Também é tempo de distinguirmos casos de irreverência, que sempre existiram, de casos de violência. Pode-se ser irreverente sem se ser violento ou criminoso. Actualmente, os professores têm dificuldade em manter a ordem na sala de aula e queixam-se, principalmente, do desrespeito e rejeição dos alunos pelas regras e, também, dos seus comportamentos pouco adequados. Contudo, este tipo de indisciplina não é violência e deve ser resolvido no seio da própria Escola, pois esta tem mecanismos para resolver estas situações.
Muito mais preocupante do que a indisciplina é a violência em meio escolar, principalmente o “bullying” que é mais difícil de se controlar. Esta forma de violência entre pares afecta particularmente as crianças e jovens e ocorre tanto nas escolas como em todos os lugares públicos.
No que concerne aos casos de violência sobre adultos só conheço os números avançados pelo Observatório da Segurança Escolar que registou, no ano lectivo passado, 185 agressões a professores nas escolas e nos arredores, ou seja, uma média de um caso por dia, contabilizando apenas os dias do calendário escolar.
Como os direitos das crianças, dos jovens e dos adultos e a sua protecção, são reconhecidos na Lei, não podemos, por isso, assistir, passivamente, a atropelos diários de direitos fundamentais.
Relativamente ao papel do Estado, verificamos que o Governo já investiu 15 milhões de euros em projectos para combater a indisciplina e a violência nas escolas, reforçou, recentemente, o programa Escola Segura com um aumento de 500 agentes. Contudo, o Estado tem-se desresponsabilizado de criar condições o que pode ser verificado pela degradação das Escolas, pela falta de funcionários nos recreios, pela a falta de psicólogos, pela falta de equipas multidisciplinares.
É tempo de pôr-se de lado a tentação de desresponsabilizar muitos actores e instituições sociais, culpabilizando apenas os professores, os funcionários e os conselhos executivos. O caso do telemóvel e todos os outros casos dizem respeito a toda a sociedade, nomeadamente aos pais que deverão repensar a forma como educam os seus filhos para a disciplina e o respeito pelos outros.
Entretanto, passemos das palavras aos actos e comecemos por explicar aos nossos filhos que a indisciplina gera violência e que o facilitismo é inimigo da exigência. Se assim fizermos, estaremos a dar o primeiro passo na construção de uma Escola Pública bem melhor.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Abril de 2008.

As Sete Maravilhas da Natureza

Depois da escolha das Sete Maravilhas do Mundo, o mundo vai eleger, em 2010, as Sete Maravilhas da Natureza. Este concurso foi lançado pela “New Seven Wonders Foundation”, depois da eleição das Novas Sete Maravilhas do Mundo.
O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) foi o mais recente candidato português a ser uma das Sete Maravilhas da Natureza do Mundo. Criado em 1971, engloba na sua área territórios dos concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre. Mas é no nosso concelho que encontramos muitos e muitos locais de rara beleza natural que se estendem desde a Serra do Gerês à Serra Amarela, com magníficas paisagens de beleza sublime que atingem o seu expoente máximo com o miradouro da Pedra Bela.
Sem dúvida que para os terrabourenses foi muito importante que esta candidatura fosse aceite, mas será muito difícil conseguir-se um número significativo de votos que nos permita eleger “esta ímpar maravilha” inspiradora de poetas, escritores, músicos e pintores que imortalizaram as suas obras e artes e, também, o nosso concelho.
Infelizmente, não podemos competir, por exemplo, com o Douro que se apresenta como o melhor candidato português. “Douro - Maravilha da Natureza” é uma candidatura que foi oficializada pela Associação de Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes e que conta com o apoio institucional dos governos civis de Vila Real, Bragança, Guarda e Viseu, que integram o território do Douro Património Mundial da Humanidade.
Dificilmente competiremos, também, com mais de três dezenas de candidaturas europeias das quais destaco: o Parque Nacional da Serra Nevada, na Espanha, o Vulcão Etna, na Itália, o lago Loch Ness, na Escócia, o glaciar Aletsch, na Suíça, ou o Giants Causeway, na Irlanda, entre muitos outros.
A competição torna-se ainda muito mais intrincada quando olhamos para algumas das candidaturas do resto do Mundo. O Pantanal, o Pão de Açúcar, as ilhas Galápagos, a queda de água de Angel Falls, o Grand Canyon, o rio Mississípi, o Monte Everest, a ilha de Bora Bora, o Parque Nacional do Serengeti e o vulcão do Monte Kilimanjaro, eis algumas das candidaturas que já foram apresentadas e que esperam conseguir o título de Maravilha da Natureza.
Até final do corrente ano por votação apurar-se-ão 77 candidatos, seguindo-se depois a escolha dos 21 finalistas por parte de um painel de especialistas. Do grupo de 21 finalistas sairão os sete vencedores, votados via Internet. As sete paisagens escolhidas vão ser anunciadas, em 2010, no Dubai, onde é novamente esperada festa rija, à imagem do que se passou, em Lisboa, no anúncio das novas Sete Maravilhas do Mundo.
O Parque Nacional da Peneda-Gerês está na corrida, mas precisa de um milhão de votos para ser um dos finalistas sendo este o patamar mínimo que nos permitirá entrar no lote dos 21 candidatos que continuarão a sua “maratona” até ao Verão de 2010 nos Emirados Árabes Unidos.
A candidatura do Parque Nacional da Peneda-Gerês é, inquestionavelmente, uma boa maneira de promover o Parque Nacional e trará, obviamente, mais visitantes à região, ganhando, com mais turismo, também, o concelho de Terras de Bouro.
Tal como Sebastião da Gama, “Haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos”. E eu tudo farei para participar deste sonho e espero que os terrabourenses também o façam!
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Março de 2008.

Tirar pedras, nem pensar!


Se percorrermos, no concelho de Terras de Bouro, o leito do Rio Homem, desde a sua nascente até aos limites da freguesia de Souto, verificamos que as suas margens congregam uma infindável montra de riquezas naturais que deleitam os nossos olhos oferecendo-nos uma diversidade de paisagens naturais de rara beleza, mas nem sempre livres da influência nefasta dos homens como é o caso que esta fotografia ilustra. Todo o automobilista ou transeunte que atravesse o Rio Homem na denominada “Ponte Nova de Gondoriz” “verá claramente visto” que a montante da “ponte velha” a margem do rio foi profundamente alterada devido às toneladas de pedregulhos, impiedosamente, atiradas pelas retro escavadoras ao leito do “Homem”.
Esta monstruosa margem onde foram amontoados selvaticamente penedos, tornou inviável a utilização desta parte do rio por parte dos pescadores e também dos veraneantes. O local que outrora era de fácil acessibilidade tornou-se perigoso sobretudo para as crianças.
Hoje, não quero questionar o direito a que se façam obras, mas é fundamental que as entidades oficiais sejam as primeiras a dar o exemplo na defesa do Ambiente e do Património Natural. Todos sabemos que a Autarquia decidiu bem quando mandou destruir o morro que tirava a visibilidade aos automobilistas. Mas será merecedor da nossa aprovação um cenário destes?
Há dias, um terrasbourense pensou em fazer o aproveitamento destas pedras. Antes de as retirar do rio, decidiu informar-se junto dos “Verdes”. Estes foram peremptórios: não poderá tirar sequer uma única pedra! Se o fizer, sujeitar-se-á às penalizações previstas na lei. Com uma resposta destas entra-se, obviamente, em taquicardia!
Pelo jeito, esta atitude lamentável e até saloia feita há uns anos atrás é irreversível porque, actualmente, parece não ser possível remover as pedras deste local. Será que a Autarquia o poderá fazer?
O desenvolvimento em harmonia com a Natureza exige a utilização e a preservação dos recursos naturais ao serviço do concelho, mas em ruptura constante com a lógica da destruição. Muitas vezes pergunto-me como seria Terras de Bouro hoje, e quanto melhor não seria, se quem decide tivesse gasto tempo, atenção e respeito para impedir que coisas destas se consumassem!
Mais palavras para quê?!
Enfim, é tempo de se corrigirem este e todos os disparates que fazem de nós “o que realmente somos”.
E nisso, sinceramente, não acredito!
20 de Fevereiro de 2008

D. Venusina, 47 anos a educar

Quem não recorda com especial carinho a professora D. Venusina?
Muitos terrabourenses estão-lhe gratos pelo seu entusiasmo e empenho, pelo seu incansável e permanente encorajamento, pela disponibilidade dispensada em todas as situações e, acima de tudo, pelas suas sugestões e orientações tão preciosas para a concretização de muitos projectos de vida. Nalguns casos, foi uma verdadeira mãe!
A postura vertical, a honestidade, a dignidade e a preocupação por ensinar, muitas vezes a custo zero, sempre pautaram a sua conduta. Todos os seus alunos recordam, certamente, o seu sorriso encantador, a sua empatia, a sua paciência e a sua boa disposição e alegria.
Muitos de nós, quando olhamos para o nosso passado, reconhecemos que fomos bons alunos e também pessoas com boa formação graças à “sementinha” plantada pela professora D. Venusina!



Maria Venusina Oliveira, em 1950, deixa a Póvoa de Varzim para leccionar na Escola Primária de Moimenta que, nessa data, contava apenas com duas salas de aulas. Instala-se com malas e bagagens na Pensão Rio Homem onde viveu durante quatro anos. Esta professora que veio para Terras de Bouro para permutar acabou por ficar na nossa Terra e casou com um terrabourense sobejamente nosso conhecido. Constitui família, viu crescer a escola de Moimenta para quatro salas e inicia uma nobre missão: contribuir para a formação integral de muitos jovens deste concelho. Depois das suas aulas decide dar explicações chegando a ter 50 explicandos, 30 dos quais fizeram o Magistério Primário. Manuel Amaro foi o seu primeiro explicando tendo-o preparado, com sucesso, para o exame do 2.º ano (actual 6.º ano). Outros alunos se seguiram e a procura foi tanta que obrigou a um outro tipo de organização. Abriu três salas de aulas: uma na casa da Guida, outra na casa Dantas e uma outra no rés-do-chão da sua própria casa. Uma verdadeira escola para combater o nível de desenvolvimento sócio-cultural muito baixo de então! Esta foi, sem dúvida, a resposta possível à falta de escola e ao isolamento até à abertura do ciclo. Com esta iniciativa considera que “ajudou muita gente a abrir caminho! Sem estas salas de aulas, muitos não teriam nada!”

Como uma mãe zelosa, acompanhou sempre os seus alunos a Braga quando estes iam realizar provas de exame. Alguns validaram as explicações recebidas na Escola Secundária D. Maria II, outros na Escola Secundária Carlos Amarante e outros na Escola Secundária Sá de Miranda.

“Foi uma vida muito vivida, mas que me valeu para eu conseguir viver aqui nesta Terra bonita que se perdia nos confins da estrada de macadame! Foi um escape para mim! O meu móbil nunca foi ganhar dinheiro porque as propinas que eu cobrava eram irrisórias e alguns dos meus explicandos, por falta de recursos, não pagavam nada”.

Na sua antiga casa, na adega entre os pipos de arcos ferrugentos, na sequeira entre os milhos e os feijões, todos sorviam e aproveitavam os seus ensinamentos. Recorda com um brilho de felicidade e orgulho nos olhos que quando saíam das suas explicações os seus alunos corriam felizes até ao antigo Grémio.

“Estive três meses de gravidez de risco do meu filho e, mesmo assim, dei explicações no meu quarto a três alunos. Não tínhamos quadro. Eles sentavam-se, em cima de uma manta, no chão, mas a força de vontade permitiu que fizessem com sucesso o exame do 2.º ano (actual 6.º ano).

Afluem-lhe à lembrança muitas coisas boas e recorda-se que a pedido do padre Joaquim Costa, pároco de Fiscal, chegou a dar explicações a uma aluna pobre que vivia num moinho e fez num só ano o 3.º, o 4.º e o 5.º anos (actuais 7.º, 8.º e 9.º anos). Foi uma das suas alunas mais brilhantes. Também se recorda de outros alunos inteligentes como foi o caso de uma aluna de Chamoim. Com o pai desta sua explicanda travou uma luta titânica porque ele não queria que ela estudasse e, quando a deixou vir às suas explicações, obrigava-a a vir sempre com socos e avental. Esta aluna sentia-se envergonhada entre os seus pares, mas como era esperta não esmoreceu. Foi bem sucedida e mais tarde fez o Magistério Primário!

Preparou regentes. Uma delas era de Santa Isabel do Monte e fazia quatro horas a pé, juntamente com a mãe, para vir estudar. “No fim-de-semana, quando aqui vinha dormia à noite na casa da Teresinha Paula”.

A Céu Sampaio, de Carvalheira, fez o 5.º ano (9.º ano) e emigrou para o Canadá. “Foi tão reconhecida que me enviou dois bilhetes de avião: um para mim e outro para o meu marido. Só eu aceitei o convite e fui visitá-la. Durante duas semanas conheci parte significativa do Canadá”.

Confidenciou que ainda conserva cartas de antigos alunos. Hoje, muitos são professores, outros são advogados, outros funcionários públicos… Alguns já se encontram aposentados.

Trabalhou, ininterruptamente, das 8 horas da manhã até às 10 horas da noite. “Esta vida dedicada à docência não trouxe sacrifícios à família”. Garante que nem os filhos ou o marido estiveram alguma vez desamparados. Confessa-nos que tal se deveu às boas empregadas domésticas que para si trabalharam.

Nas explicações, muitas vezes, leccionava níveis de ensino e disciplinas diferentes. “Mas se tivermos método e preparamos bem as aulas tudo é possível e mais fácil!”- garante.

Para além das explicações, leccionou na Telescola de Moimenta: Matemática, Francês e Ciências.

Fez parte no tempo da guerra colonial juntamente com a Rosa Santos da Cunha (esposa do Governador Civil) do Movimento Nacional Feminino que ajudava os soldados que se encontravam na guerra. “Vendíamos aerogramas, ajudávamos as famílias confortando-as assim como aos soldados”.

Foi primeira secretária, em Braga, da ACSJF (Associação Católica ao Serviço da Juventude Feminina) tendo ajudado muitas jovens e participado em reuniões em Lisboa.

Em 1984, foi a primeira presidente da Cruz Vermelha do Núcleo de Terras de Bouro que ajudou a fundar sendo para si uma experiência muito gratificante. Nessa altura, contou com o apoio e colaboração de muita gente da Terra. Também ajudou a fundar o Lar da Cruz Vermelha de Terras de Bouro juntamente com a Rosinha do Melo e o senhor Freitas.

Esteve nove anos na Delegação Escolar antes de se aposentar. Foram 47 anos dedicados à docência, tendo-se reformado com 65 anos.

Hoje, a nossa professora que já conta com 82 anos, não deixa de pensar nos jovens a quem dá os seguintes conselhos: “Não mintam! Estudem, para seguirem sempre em frente! Trabalhem porque o trabalho não faz mal a ninguém!”

Professora Venusina, OBRIGADO! Aqui deixo o meu agradecimento que não cabe nas palavras.

UM GRANDE BEM HAJA!

Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Janeiro de 2008.

A praxis politiqueira

Na minha Terra, regra geral, a praxis politiqueira orienta a sua axiologia valorativa primando pelo adiável aqueduto entupido, pela poça seca, pelo saco de cimento endurecido, pela lâmpada pública no meio das ramagens dos carvalhos, pela cana de regadio, pelo rachão para a calçada à portuguesa estendido a favor até à casa de alguém… Obras honoríficas merecedoras da aprovação popular, bem capazes de maravilhar tapuios!... Não será bem melhor preferirmos estes e outros “remendos” para evitarmos a desmoralização da populaça e o descrédito absoluto de toda a nossa politiquice?!
Se organizássemos toda a nossa comunidade politiqueira numa pirâmide teríamos na base, por serem a esmagadora maioria, os politiqueiros que entram nas reuniões políticas mudos e saem silenciosos. Estes são os verdadeiros “animais políticos” que ninguém ousa calar porque estão sempre calados!
Logo a seguir, e num estrato mais acima, mas em menor número, encontraríamos os tartamudos que ambicionam ser como Demóstenes um gago que se tornou orador. Estes tardíloquos dão encantamento aos discursos políticos monossilábicos, “solavancados”, longos e enigmáticos.
Depois dos tartamudos, encontraríamos, ainda num estrato mais acima, mas em número muito reduzido os semi-analfabetos. Ser analfabeto não deve envergonhar ninguém, mas ser politiqueiro e semi-analfabeto, com erros de ortografia no próprio nome, não é crime que “lesa majestade”, mas dá que reflectir!
Finalmente, no topo desta imponente “pirâmide egipciana”, temos aqueles que intelectualizam os seus argumentos politicastros sorvendo infindáveis malgas de verdasco ensopadas em bolinhos de bacalhau numa taberna qualquer. Estes são os mais singulares e os mais importantes de toda a hierarquia politiqueira da nossa Terra. Exemplares únicos para a falta de transparência e para a insuspeição. Adversos à ataraxia, sentem prazer extraordinário em afogar, ao balcão da tasca, as derrapagens financeiras e todos os contratempos políticos. Entre os carimbos de vermelho-escuro do tinto escorrido da malga esbocelada e que se presume não ser a martelo preparam, com mais pinga menos pinga, as grandes linhas programáticas da acção governativa politiqueira. Com muitas malgas à mistura, vão delineando as grandes opções do plano
Observe-se a sensatez do pensamento e actuação prudente dos verdadeiros politiqueiros. Em nome da coerência, de manhã, afirmam uma coisa, à tarde, para não se repetirem, afirmam outra!
Tão crédulos e ingénuos que todos nós somos, meu Deus!!!
Como é possível?!
Texto publicado neste blogue.

Cruz Vermelha da Vila de Terras de Bouro

No dia 21 de Outubro, pelas 15 horas, na Praça de Espectáculos, realizou-se o juramento de compromisso da 8.ª Escola do Núcleo da Cruz Vermelha da Vila de Terras de Bouro. Esta cerimónia de parada, onde se fizeram representar 13 núcleos da Cruz Vermelha, contou com a presença, entre outras individualidades, dos membros da Direcção do Núcleo da Cruz Vermelha da Vila de Terras de Bouro, do Presidente da Câmara Municipal, do Vereador da Protecção Civil, do Presidente da Assembleia Municipal, do Presidente da Delegação Distrital, em representação do Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa. Depois do juramento houve confraternização nas instalações na Escola EB 2,3/S Padre Martins Capela. Os vinte novos socorristas da 8.ª Escola fizeram a formação em horário pós-laboral tendo sido preparados pelo comandante, Manuel Faria, e por formadores externos. Nesta 8.ª Escola foram leccionadas 123 horas, 63 horas das quais foram de formação socorrista e as restantes de formação técnica geral e de formação Cruz Vermelha. Os custos com os formadores externos, suportados pelo Núcleo Local, foram feitos na área de socorrismo e ascenderam a mais de mil euros. Foi, ainda, necessário comprar fardamento para cada um dos novos socorristas, sendo o custo por farda superior a 120 euros. Este Núcleo Local conta com 62 socorristas, 2 enfermeiros e 2 médicos. Sendo uma instituição humanitária, não governamental e de utilidade pública desenvolve a sua missão em obediência aos Princípios Fundamentais da Cruz Vermelha sem contrapartidas e com todos os riscos que esta missão acarreta para socorrer todos aqueles que dela necessitam. Manuel Faria é o comandante deste Núcleo desde 1994 e continuará a trabalhar afincadamente e de forma abnegada dedicando-se de corpo e alma à Cruz Vermelha da Vila de Terras de Bouro, num voluntarismo quase absoluto. Este “guerreiro do bem comum” que sacrifica tudo pela Cruz Vermelha, sabe que daqui a quatro anos haverá necessidade de se renovar o ciclo. Entretanto, esperemos pela 9.ª Escola e por mais recrutas. Desejamos, acima de tudo, muita saúde ao nosso comandante para que possa dar continuidade ao seu trabalho exemplar em prol de toda a nossa comunidade. Bem haja ao nosso comandante e a todos os socorristas da Cruz Vermelha da Vila de Terras de Bouro!
José Guimarães Antunes

Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Fevereiro de 2008.

VII Feira-Mostra, S. Martinho nas Terras do Gerês


Nos dias 9, 10 e 11 de Novembro, realizou-se na Vila de Terras de Bouro a VII Feira-Mostra “S. Martinho nas Terras do Gerês”. Este certame, que já vai na sétima edição, propõe-se divulgar o artesanato, os produtos agrícolas e a gastronomia do nosso concelho. Mas a divulgação das potencialidades económicas da nossa terra e a valorização dos produtos característicos locais da época não estão entre os objectivos primeiros o que pôde ser comprovado pelos stands expostos.
Festa e animação não faltou, mas como manda a tradição de S. Martinho, a castanha devia ser a principal protagonista nesta Feira-Mostra. Mas, como nós terrabourenses não lhe damos a devida importância, encarregou-se de o fazer o nosso concelho vizinho, Vieira do Minho, onde se realizou a segunda edição do mercado dedicado à castanha.
Prometia-se no Programa, para os dias 9, 10 e 11, as tasquinhas com sabores biológicos – Cabrito do Gerês. Mas, nesta Feira-Mostra, foi muito pouco o cabrito para saborear. Provou-se cabrito bem confeccionado, na Tasca do Lopes (tasca criada para esta Feira-Mostra), único stand onde foi vendido. Com o cabrito biológico, unicamente no Programa, perdemos a oportunidade de apresentarmos um produto de qualidade da nossa pastorícia tradicional e de levarmos o nome de Terras de Bouro a vários pontos do país. Deste modo, a nossa Feira-Mostra, que envolve uns significativos milhares de euros do erário público, não pode ser considerada uma mais-valia geradora de desenvolvimento que complemente o rendimento dos nossos produtores agrícolas.
A “Chega de Bois” e o “Festival da Canção de Terras de Bouro”, realizados no dia 10, contaram com uma grande adesão de público, mas foi no dia 11 que muita gente se concentrou em número significativo para assistir à “Corrida de Cavalos”. A Autarquia, vá-se lá a saber com que critérios, decidiu pôr fim à tradição quando sentenciou que a “Exposição de Cabrito, Garranos e Gado Barrosão” assim como a “Chega de Bois” e a “Corrida de Cavalos” seriam eventos organizados pela Associação de Produtores Biológicos e não pela Cooperativa Agrícola que organiza as corridas há décadas.
Por que razão as corridas de cavalos não foram organizadas desta vez pela Cooperativa?
Será desta forma que a Autarquia apoia a melhoria das condições de vida e de trabalho dos agricultores e das populações rurais através do seu rejuvenescimento e defesa dos rendimentos?
20 de Novembro de 2007