quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Buracos e mais buracos

As fotografias mostram alguns dos buracos que se têm multiplicado como uma doença ruim na Vila de Terras de Bouro.
Quando circulamos na nossa pacata vila, temos de fazer uma verdadeira gincana para fugir deles ou quando tal não é possível travamos, afrouxamos e lá vamos passando...
Afinal, o que é que mudou com as eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009? Apenas, mais e mais buracos!

As bruxas

Não acredito em bruxas... mas que elas existiram em Terras de Bouro, existiram! Se não acredita, veja o que aconteceu, no caminho das Laceiras, ao Manuel Guedes quando lhe apareceram duas delas! Ainda bem que ele se lembrou dos ensinamentos da catequese e se benzeu!
Um lavrador terrabourense, chamado Manuel Guedes, ia certa tarde pelo caminho das Laceiras, quando veio uma mulher montada num burro ao contrário, com a cara virada para o rabo da mula e com muitas galinhas à volta dela.
Quando o Guedes se aproximou, o grupo das galinhas transformou-se em duas lindas mulheres, muito bem vestidas, que começaram a dançar à volta dele e o queriam levar.
O Guedes aflito benzeu-se e tudo desapareceu como por encanto.
Também esta história, de acordo com Lopes de Oliveira, trás a procedência de Vilarinho da Furna.

O último lobisomem

À casa do pastor Cancela, vinha, às vezes, um lobisomem em forma de reixelo (bode), que perturbava a sua tranquilidade, pondo os animais em sobressaltos e causando prejuízos.
O Cancela, que era um homem decidido e pouco para medos, escondeu-se, uma noite, entre o centeio, com um cutelo, e esperou até o reixelo chegar. Quando este veio e passou aos saltos perto dele, atirou-lhe o cutelo com tal força, que o chão no dia seguinte estava tinto de sangue; mas nem vestígios do reixelo nem do cutelo. O Cancela procurou e matutou no caso, durante muito tempo, mas por fim desistiu e esqueceu-se do sucedido.
Passados tempos, o Cancela foi comprar reses por outras terras e, na casa de um negociante de gado, viu um cutelo igual ao seu, o que o espantou bastante, pelo que perguntou ao homem, onde é que ele tinha adquirido aquele cutelo. Mas o homem não lhe respondeu e convidou-o a comer com ele, indo-se ambos deitar em seguida.
No dia seguinte pela manhã, o homem foi buscar a res (cabras) que o Cancela queria comprar e não quis dinheiro pelos animais, dizendo que lhos dava em paga dele lhe ter quebrado o encanto, pois já não voltava a transformar-se em reixelo depois do Cancela o ter ferido.
Pelo jeito, o lobisomem também andou por aqui, em Terras de Bouro. Hoje, não o temos pelas nossas bandas porque o Cancela, antepassado vigoroso da nossa Terra, “tratou-lhe da saúde”. Esta história, de acordo com Lopes de Oliveira, parece ter sido passada em Vilarinho da Furna.

Teatro Amador na Freguesia da Balança

Com apoio da Junta de Freguesia e da empresa Electrotibo, a Associação Cultural Nova Vida continua o seu excelente trabalho de dinamização do teatro amador na freguesia da Balança.
Com encenação de Herculano Santos, no dia 21 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de jovens da Balança leva, desta vez, a cena as peças: “Fanhoso”, “Arnaldo troca tudo” e “Vampiro humano”.
Se quer assistir à representação destas peças, compareça na sede da Associação Cultural da Freguesia da Balança.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Projecto Arca do Bebé

Como é por uma boa causa, divulgo o seguinte pedido:

A Associação Famílias tem desenvolvido nos últimos anos o Projecto "ARCA DO BEBÉ" que procura responder a necessidades básicas essenciais de famílias carenciadas com ou à espera de bebés. A procura não tem diminuído. Pelo contrário! Precisam-se, com grande urgência e necessidade de: caminhas de bebé, biberões, fraldas, roupa para recém-nascido ou dinheiro que permita adquirir estes bens (será passado um recibo de donativo). Em época de crise, as carências agravam-se. Não podemos deixar os bebés sem o mínimo de conforto. Apela-se, pois, à generosidade de quem nos ler. Os donativos podem ser entregues nas instalações da instituição:

  1. Rua de Guadalupe nº 73 - S. Vicente - Braga
  2. Travessa José Gabriel Bacelar nº 9 - Areal de Cima - Braga
  3. ATL das Enguardas
  4. Bairro Social das Enguardas - Bloco I - r/c - S.Victor – Braga

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Terras de Bouro cada vez mais primeiro

A Associação Desportiva Terras de Bouro venceu por 3-2 as Águias de Alvelos e isolou-se, definitivamente, na tabela classificativa. Com 41 pontos e com um jogo a menos, o clube da Vila de Terras de Bouro caminha a passos largos para a Divisão de Honra.
Nesta 17.ª jornada, o Grupo Desportivo do Gerês também está de parabéns porque foi ao reduto do Viatodos vencer por uns concludentes 3-1. Com a vitória nesta ronda, o Grupo Desportivo do Gerês ocupa agora o 6.º lugar com 27 pontos
Na próxima jornada, os três primeiros classificados jogam fora. Destes, a UD Vila Chã, 2.º classificado, visita o Grupo Desportivo do Gerês.
Esperemos que os clubes do nosso concelho vençam!

No dia 20, publico entrevista do treinador da Associação Desportiva Terras de Bouro, Jorge Maia.

"Tirar pedras, nem pensar!"

Em Fevereiro de 2008, há dois anos atrás, escrevi o texto “Tirar pedras, nem pensar!”
A fotografia, que nessa altura tirei, documenta mais um atentado feito contra a beleza do Rio Homem.
Não sei se este acto é revelador da falta de bom senso que muitas vezes assiste a todos aqueles que nos governam! Apenas sei que, por acção do ser humano, o Rio Homem perdeu, neste local, a sua beleza natural.
Mais palavras para quê! A fotografia diz tudo!
Se percorrermos, no concelho de Terras de Bouro, o leito do Rio Homem, desde a sua nascente até aos limites da freguesia de Souto, verificamos que as suas margens congregam uma infindável montra de riquezas naturais que deleitam os nossos olhos oferecendo-nos uma diversidade de paisagens naturais de rara beleza, mas nem sempre livres da influência nefasta dos homens como é o caso que esta fotografia ilustra. Todo o automobilista ou transeunte que atravesse o Rio Homem na denominada “Ponte Nova de Gondoriz” “verá claramente visto” que a montante da “ponte velha” a margem do rio foi profundamente alterada devido às toneladas de pedregulhos, impiedosamente, atiradas pelas retro escavadoras ao leito do “Homem”.
Esta monstruosa margem onde foram amontoados selvaticamente penedos, tornou inviável a utilização desta parte do rio por parte dos pescadores e também dos veraneantes. O local que outrora era de fácil acessibilidade tornou-se perigoso sobretudo para as crianças.
Hoje, não quero questionar o direito a que se façam obras, mas é fundamental que as entidades oficiais sejam as primeiras a dar o exemplo na defesa do Ambiente e do Património Natural. Todos sabemos que a Autarquia decidiu bem quando mandou destruir o morro que tirava a visibilidade aos automobilistas. Mas será merecedor da nossa aprovação um cenário destes?
Há dias, um terrasbourense pensou em fazer o aproveitamento destas pedras. Antes de as retirar do rio, decidiu informar-se junto dos “Verdes”. Estes foram peremptórios: não poderá tirar sequer uma única pedra! Se o fizer, sujeitar-se-á às penalizações previstas na lei. Com uma resposta destas entra-se, obviamente, em taquicardia!
Pelo jeito, esta atitude lamentável e até saloia feita há uns anos atrás é irreversível porque, actualmente, parece não ser possível remover as pedras deste local. Será que a Autarquia o poderá fazer?
O desenvolvimento em harmonia com a Natureza exige a utilização e a preservação dos recursos naturais ao serviço do concelho, mas em ruptura constante com a lógica da destruição. Muitas vezes pergunto-me como seria Terras de Bouro hoje, e quanto melhor não seria, se quem decide tivesse gasto tempo, atenção e respeito para impedir que coisas destas se consumassem!
Mais palavras para quê?!
Enfim, é tempo de se corrigirem este e todos os disparates que fazem de nós “o que realmente somos”.
E nisso, sinceramente, não acredito!
Publicado no jornal "Geresão" em Fevereiro de 2008.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Projecto Limpar Portugal

Se quer participar no projecto Limpar Portugal, inscreva-se. Ainda está a tempo! Clique aqui em:
Se é do concelho de Terras de Bouro, inscreva-se porque a área a limpar no nosso concelho vai depender do número de voluntários inscritos.
É muito importante que se inscreva num grupo, só assim o seu registo ficará completo.
Visite o site oficial Limpar Portugal e leia a “Documentação de Apoio” e “Perguntas Frequentes”, onde poderá encontrar respostas e ficar mais esclarecido(a) sobre o projecto.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Gerês Antigo, Gerês Termal

Nos dias 13 e 14 de Março de 2010, os blogues “Carris”, “Bordejar”, “Trilhos e Azimutes”, “Monte Acima” e No Gerês 2 organizam um fim-de-semana fotográfico, subordinado ao tema "Gerês Antigo, Gerês Termal".
A partir de antigas memórias visuais, pretende-se a identificação fotográfica de vários locais o que proporcionará aos participantes um fim-de-semana inesquecível na Serra do Gerês.
Mais pormenores desta iniciativa no blogue “Gerês 2”.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

7 Maravilhas Naturais de Portugal

O Parque Nacional Penêda-Gerês é um dos 77 pré-finalistas das “7 Maravilhas Naturais de Portugal".
Um painel constituído por 77 especialistas, de vários pontos do país, seleccionou, de entre os 323 candidatos, o Parque Nacional Penêda-Gerês pela sua beleza natural e paisagística e, também, pela sua importância ecológica.
A "New 7 Wonders Portugal", a organizadora deste concurso, escolherá um painel de 21 personalidades notáveis do nosso país que elegerá as 21 Maravilhas Finalistas. No dia 7 de Março, as 21 finalistas serão apresentadas para votação pública que encerrará a 7 de Setembro. Estou convicto que os Terrabourenses e os Portugueses não ficarão indiferentes às belezas do nosso Gerês e, em Setembro, festejaremos a escolha do Parque Nacional Penêda-Gerês para uma das “7 Maravilhas Naturais de Portugal".

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Associação Desportiva de Terras de Bouro mantém 1.º lugar

Em jogo a contar para a 16.ª jornada, a Associação Desportiva de Terras de Bouro deslocou-se ao campo da Associação Merelim Sampaio tendo vencido este jogo por uns concludentes 3-0. O clube da Vila de Terras de Bouro mantém-se de pedra e cal no comando e, se mantiver este ritmo competitivo, dificilmente perderá o 1.º lugar nas próximas jornadas.
O Grupo Desportivo do Gerês, que na 15.ª jornada se encontra no oitavo lugar, venceu em casa o Forjães com 3 golos sem resposta e subiu um lugar na tabela classificativa, sendo agora 7.º
Na próxima jornada, o Terras de Bouro recebe o clube Águias de Alvelos (11.º classificado) e o Grupo Desportivo do Gerês desloca-se ao campo do Viatodos que ocupa o 6.º lugar. Se o Grupo Desportivo do Gerês vencer, poderá ultrapassar o Viatodos na tabela classificativa.

Infopédia: informações erradas

Santuário da Abadia - Amares
Na Infopédia, se consultarmos “As Tradições, Lendas e Curiosidades” de Terras de Bouro podemos ler que:
a feira semanal é à sexta-feira;
a 15 de Agosto realiza-se a Festa da Nossa Senhora da Abadia;
o feriado municipal tem lugar a 24 de Junho, no dia de S. João;
do artesanato local são característicos vários produtos como as colchas de linho, as mantas de burel, os bordados, a cestaria, as rendas, o calçado fabricado à mão, os artigos de cerâmica, as escadas e os bonecos de madeira.
Sendo, tal como é referido, “a feira semanal à sexta-feira”, pergunto como se denomina o encontro de feirantes que se realiza, à segunda-feira, de quinze em quinze dias?
Informar que a 15 de Agosto se realiza a Festa da Nossa Senhora da Abadia está completamente errado. Esta festa e o Santuário da Abadia pertencem ao concelho de Amares. As nossas Festas Concelhias realizam-se, na vila de Terras de Bouro, na primeira semana de Agosto
A institucionalização do Dia do Município fixou o feriado municipal em 20 de Outubro, para assinalar o dia em que Sua Alteza Real, D. Manuel I, concedeu a Carta de Foral à “Terra de Boyro”, como então era designada, em 20 de Outubro de 1514. Por isso, o nosso feriado municipal deixou de ser em 24 de Junho.
Será razoável permitir que milhares de pessoas consultem incorrecções e até disparates?!
É bem provável que no futuro algum intelectual estouvado seja bem capaz de escrever na “Infopédia” que nós temos os tapetes de Arraiolos, os bonecos das Caldas, as “honras mirandesas”, os meiotes de lã de ovelha da Estrela ou, quiçá, que o nosso Centro Cívico é Monumento Nacional.
De acordo com Goethe “nada se pode desenvolver com base no erro, porque o erro limita-se a envolver-nos no erro”.
Felizmente, hoje sempre que a ignorância escandaliza o entendimento, pode-se recorrer ao ciberespaço e desfazer os malentendidos e os absurdos.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Gerês em protesto contra plano que afasta moradores do Parque Nacional

O jornal “Terras do Homem” também deu a notícia da luta dos terrabourenses (e não só) contra o despotismo dos homens de fato engomado e de sapatos de verniz que, tal como diz o jornalista Costa Guimarães, querem ditar “ordens como se os habitantes e residentes no Parque Nacional da Peneda-Gerês fossem filhos de um deus menor”.
"Nem Salazar nos tratou assim!" Por isso, estamos contra todos aqueles que querem conferir um estatuto selvagem ao parque nacional, mas, para desgraça nossa, esqueceram-se que o Parque Nacional da Peneda-Gerês tem gente a viver lá. Não é uma gente qualquer, mas é gente boa, trabalhadora e digna. E é isso que nos querem tirar: a nossa dignidade.
Nem o mau tempo
afastou os manifestantes, que desfilaram nas ruas de Braga!

"O mau tempo que se fez sentir não foi suficiente para demover as dezenas de pessoas da Peneda-Gerês que, empunhando cartazes diversos, resolveram manifestar-se mais uma vez, em Braga, contra a entrada em vigor, em Abril, do novo Plano de Ordenamento do Parque Nacional Peneda Gerês e contra das diversas “limitações” por este impostas.
O protesto, que teve lugar no passado dia 22, começou na Avenida Central, terminando no Governo Civil. Pelo caminho, podiam ler-se frases como “Queremos um Parque Nacional com gente” ou “Proibir a Caça não é proteger a natureza”.
O novo Plano de Ordenamento esteve em discussão pública até 2 de Dezembro e aberto a propostas de alteração. Contudo, as alterações introduzidas no documento não terão sido suficientes para ‘calar’ os populares que se sentem lesados nos seus direitos.
Entre outras coisas, o Movimento ‘Peneda-Gerês com Gente’ reclama a suspensão do processo de revisão do Plano de Ordenamento do PNPG e o início de um novo processo de revisão.
Os moradores querem ainda a consagração do estatuto das populações locais no novo regulamento, a defesa dos direitos e interesses das populações, a defesa de um plano de ordenamento que valorize o território e as populações, assim como a reformulação dos vectores do desenvolvimento socioeconómico do território.
Em causa estará, no entender dos dirigentes do movimento, “o erro básico de se partir do pressuposto que é uma área selvagem, quando a riqueza que permitiu a classificação decorre da acção do homem”. José Carlos Pires, líder do movimento, classifica de “absurdo” o facto de a população “ter de pedir autorização para tudo, até para roçar o mato nas suas propriedades”.
Por outro lado, também o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, José Cracel, entende que “as pessoas não podem sair lesadas nos seus direitos” e que, embora seja necessária uma revisão do plano, há que garantir que são respeitados “os usos e costumes das populações do interior do parque”.
Antes de ser entregue ao representante do Governo Civil de Braga, foi aprovado por unanimidade o documento endereçado à ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, onde as gentes da Peneda-Gerês manifestaram a sua “oposição a qualquer tentativa de imposição de taxas sobre as actividades em território privado”.
Em causa estarão taxas de cerca de 200 euros que a direcção do parque pretende ver pagas por quem desenvolva actividades dentro daquela área. Mas os moradores também estão contra a aplicação das ditas taxas aos turistas, até por uma questão de viabilidade económica dos negócios que existem na região.

Baldios de Vilar da Veiga com novo presidente
No dia que se seguiu à manifestação em Braga, contra o Plano de Ordenamento do Parque Nacional, tomou posse o presidente do Conselho Directivo dos Baldios de Vilar de Veiga, tendo feito aprovar uma moção contra o Parque Peneda Gerês, com base em diversos pressupostos.
Desde logo porque, entende o dirigente, o novo Plano de Ordenamento do Parque Nacional Peneda-Gerês “prejudica os compartes”. Além disso, alega igualmente o presidente dos Baldios de Vilar da Veiga, este documento “retira terreno aos baldios”, “proíbe as vezeiras” e retira usos e costumes aos compartes adquiridos ao longo de séculos. Refira-se, a este propósito, que 92% do território do parque é privado ou baldio".

Publicado no jornal “Terras do Homem” em: http://www.terrasdohomem.com
Autor: Terraimagem 2010/02/04

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Parabéns ao nosso poeta

No dia 20 de Abril de 2009 escrevi no jornal o “Geresão” o texto “João Luís Dias, o Poeta da Montanha”. Hoje, felicito-te por mais um aniversário e peço-te que com o teu engenho e arte continues a ser um “pastor do Ser”.
Parabéns por mais um aniversário, "Poeta da Montanha"!
A ti, João Luís, dedico-te novamente os últimos parágrafos desse meu texto.
Bem haja!
Na verdade, a criação poética é um mistério indecifrável e que não está ao alcance da maior parte do comum dos mortais. A arte da criação poética não se aprende nos livros e não pode ser ensinada. Não se conhecem receitas para ensinar a composição de um verso ou de um poema.
De facto, os poetas são nossos mestres, nós que somos homens vulgares, e bebem em fontes que nos estão vedadas a todos nós. E um grande poeta, de acordo com o escritor inglês Gilbert Chesterton, “existe para mostrar ao homem pequeno o quanto ele é grande”.
Para mim, João Luís Dias é um grande poeta que deve orgulhar-nos a todos nós terrabourenses! Vou mais longe e ouso dizer que João Luís Dias é um «pastor do Ser», na tão bela expressão de Heidegger.
De facto, a sua sensibilidade estética revela-nos o “Ser” e o encanto do que, sem ele, para nós não seria. Bem haja ao nosso “Poeta da Montanha”, aos seus versos e ao seu grande amor pela poesia e pela cultura!
Obrigado, João Luís. Tão só: muito obrigado por partilhares connosco a tua inspiração, o teu talento e os teus poemas!

Gerês: novo fundamentalismo

Entre os habitantes de Terras de Bouro e redondezas, deve haver ainda muitos que se lembram da batalha vigorosa que foi travada pelo ex-presidente da Câmara terrabourense e também ex-Governador Civil de Braga, José Araújo, contra a prepotência dos senhores do sofá que ditavam ordens como se os habitantes e residentes no Parque Nacional da Peneda-Gerês fossem filhos de um deus menor.
Para avivar a memória de uns quantos, patrocinou a publicação de livros sobre a história e os direitos dos povos vizinhos da Portela do Homem, mas parece ter sido em vão.
Persistem os mesmos tiques dos senhores do ar condicionado que ignoram os verdadeiros defensores daquela riqueza paisagística, da flora e biodiversidade animal que é o Parque Nacional da Peneda-Gerês e tentam esconder debaixo do tapete os atentados que o estado perpetrou contra aqueles povos e este território.
Tudo o que o actual presidente da Câmara de Terras de Bouro, Joaquim Cracel, lamenta também — com o Plano de Ordenamento que querem impor, o envelhecimento do concelho e a sua desertificação — foi em devido tempo denunciado por José Araújo, ao ponto de o assemelharem ao sonhador D. Quixote que autarcas vizinhos deixaram a falar sózinho.
Já então, aquele autarca se manifestava contra as tentações restritivas que colidem com a lei dos baldios, que permite às populações usarem os baldios, direito que é, agora, posto em causa.
Mais de mil pessoas vieram a Braga gritar que não podem permitir que isto possa acontecer porque isso significa um retrocesso dos direitos que o pós-25 de Abril veio devolver às populações.
Acresce que o Plano vem contra "coisas ancestrais, usos e costumes dos habitantes e direitos como os de explorar a pedra ou as energias eólicas" semelhante a um assalto a valores como a propriedade comunitária.
Não há quem perceba que um Plano para preservar a natureza não pode ser feito contra os direitos seculares das pessoas que nele vivem?
Não haverá neste país quem vislumbre um contra-senso entre a propaganda ao turismo de natureza e um Plano que limita e quase proibir o turismo no concelho e nas freguesias do interior do Parque?
Se os representantes eleitos do povo terrabourense e da nação, desde o presidente da Assembleia Municipal de Terras de Bouro aos parlamentares eleitos por Braga, estão ao lado das populações, isto não chega para travar e parar este desvario fundamentalista?
A criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês (a 8 de Maio de 1971) visou a realização nessa área montanhosa de "um planeamento capaz de valorizar as actividades humanas e os recursos naturais, tendo em vista finalidades educativas, turísticas e científicas".
Face a esta vaga fundamentalista, há que refundar o Parque Nacional e torná-lo fiel aos objectivos centrais que presidiram à sua criação, há quase 40 anos, os quais não excluem a valorização das actividades humanas, antes as valorizam.
In jornal o “Correio do Minho”, em 2/02/2010, por Costa Guimarães

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Por um parque nacional livre de taxas, assine a petição pública

Caro Amigo:
Li e assinei a petição online "Inibição de taxas de autorização para a prática desportiva".
Se concordar com ela, a partir do meu blogue, também poderá fazê-lo.
Na barra lateral, pode consultar a Portaria n.º 1245/2009 de 13 de Outubro.
Obrigado!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Associação Desportiva de Terras de Bouro soma e segue

Em jogo a contar para a 15.ª jornada, a Associação Desportiva de Terras de Bouro deslocou-se ao reduto do FC Roriz tendo vencido o jogo pela vantagem mínima. Actualmente, ocupa o 1.º lugar da tabela classificativa enquanto que o Grupo Desportivo do Gerês se encontra no oitavo lugar.
Na próxima jornada, o Terras de Bouro desloca-se ao campo da Associação Merelim S. Paio (14.º classificado) e o Grupo Desportivo do Gerês recebe o Forjães.Neste blogue, pode acompanhar os resultados dos clubes do nosso concelho.
Na barra lateral veja Futebol: classificação do Terras de Bouro e do Gerês.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Peneda-Gerês em polvorosa

O Parque Nacional da Peneda-Gerês localiza-se na região Norte de Portugal abrangendo os concelhos de Arcos de Valdevez, Montalegre, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Melgaço e as serras da Peneda, Soajo, Amarela, Gerês e, ainda, os planaltos do Laboreiro e Mourela. O seu ponto mais elevado é de 1508m e situa-se nos carris. Este parque totaliza uma área de 70 290 hectares e destes, 5 275 hectares pertencem ao Estado (Matas Nacionais), 45 577 hectares são terrenos baldios e a restante área é propriedade privada. O P.N.P.G. é a única área protegida nacional que possui a categoria de Parque Nacional, o nível mais elevado de classificação das áreas protegidas.
Recentemente o Governo, sem ouvir as populações, decidiu impor um novo plano de ordenamento no Parque Nacional Peneda-Gerês quando é proprietário apenas de 7,5% do território.
Foi há mais de um século que o Estado começou a apropriar-se indevidamente dos direitos das gentes dos concelhos deste parque e, em particular, das gentes de Terras de Bouro e quer, teimosamente, continuar a atropelá-los. Por isso, hoje, é tempo de dizermos basta! É tempo de nos defendermos para que o Estado não continue a asfixiar o nosso concelho. É tempo de lutarmos contra os homens de colarinho branco que com sapatos de verniz querem apoderar-se do que é privado ou pertença das comissões de baldios.
Se persistirem na teimosia de quererem impor-nos taxas e proibições nos terrenos privados do nosso concelho, todos os terrabourenses terão de se unir e apoiar incondicionalmente o movimento cívico Peneda-Gerês Com Gente.
Defender os nossos direitos contra o despotismo do Estado, que a partir de Lisboa quer continuar a prejudicar as nossas gentes humildes, será este o nosso caminho.
"Nem Salazar nos tratou assim!" Por autismo ou por ignorância, ao conferirem um estatuto selvagem ao parque nacional, esqueceram-se de que os parques com este nome existentes em todo o Mundo não têm gente a viver lá.
Nós, na nossa terra, apenas queremos uma vida digna. E isso parece que é pedir muito!
Texto publicado neste blogue.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Dr. Manuel da Silva Martins: um exemplo para muitos

O Dr. Manuel da Silva Martins nasceu em 1942, na freguesia de Gondoriz. Com apenas 11 anos, este terrabourense foi viver com os pais para Lisboa e teve de começar a trabalhar por falta de possibilidades da família. Nessa época, trabalhar na capital significava um novo alento e uma nova esperança para a fuga da vida de miséria que o nosso concelho, infelizmente, oferecia. Com a sua estrutura afectiva formada, este gondoricense nunca perdeu o contacto com o concelho que o viu nascer e onde aprendeu as primeiras letras.
Depois de muitos anos de trabalho árduo, em 1983, consegue, finalmente, licenciar-se em Economia pela Universidade Técnica de Lisboa.
Foi professor de matemática na Escola Preparatória Eugénio dos Santos e de economia na Escola Secundaria da Venteira.
Terminou a sua vida profissional como distinto quadro da carreira técnica superior da Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo (DGAIEC).
Homem de vontade férrea é um bom exemplo de que para se vencer na vida é importante que cada um de nós acredite em si mesmo e tenha muita vontade de vencer. Através do trabalho e do esforço tudo é possível” garante. Afirma à reportagem do jornal “O Geresão” que “para se conseguir alguma coisa é preciso muito espírito de sacrifício, de perseverança e de trabalho que não prejudique os outros, mas que somente nos beneficie a nós próprios porque o nosso semelhante nunca pode ser atropelado”.

Para Dr. Manuel da Silva Martins, nascer em Terras de Bouro não foi fruto do acaso. Tem orgulho em afirmar que os seus pais, ambos naturais de Gondoriz, residiam em Lisboa, mas decidiram que tanto ele como o seu irmão tinham de nascer no nosso concelho. Viveu em Gondoriz até aos onze anos de idade sendo estes primeiros anos de vida muito importantes na formação da sua personalidade e, também, fundamentais para criar uma relação afectiva à terra. Dos sete aos onze anos fez a instrução primária na Escola Mista de Gondoriz com aprovação final, no exame do 2.º grau, na Vila de Terras de Bouro. “Como fui aprovado com distinção criei, a partir daí, o desejo de estudar, mas infelizmente, não pude fazê-lo, apesar de ter muita motivação para aprender. Na época, o liceu era muito caro e, para mim, não foi fácil deixar de estudar”, lamenta.
Jamais esquecerá que ir à Feira de Covas e ao S. Bentinho da Porta Aberta, que hoje é o segundo santuário do País, era como um dia de festa! Na altura do centeio, apanhava “o dente de cão” que vendia e com ele reunia dinheiro para comprar umas cavaquinhas.
Em Lisboa, ainda criança de onze anos, começa a trabalhar nas obras. No Hospital da Ordem Terceira, vestido com um fato de macaco carrega durante dois meses tábuas para andaimes. Neste mesmo hospital, deixa o trabalho duro das obras e passa a fazer recados aos doentes. Leva cartas ao correio, compra revistas e jornais, entre outros. O trabalho torna-se mais leve e as gorjetas passam a ser o seu ordenado, mas alguns meses depois volta novamente a trabalhar nas obras e toma a primeira decisão da infância da sua vida quando apresenta o seu despedimento. “Meses depois despedi-me, mas os meus pais não queriam que eu o fizesse. Como mantive a minha decisão disseram-me que teria de ser eu a procurar emprego.” Esta criança de carácter firme vê-se obrigada a crescer, rapidamente, e, no dia seguinte, foi ao jornal “Diário de Notícias” para consultar as ofertas de emprego porque não disponha de dinheiro para comprar o jornal.
Consegue emprego como mandarete e passa a fazer recados numa pastelaria-restaurante, mas “os escudos ganhos eram muito magros”. Meses depois, consegue novo emprego, num hotel, também como mandarete.
Aos treze anos fica entregue a si próprio. “Ainda não tinha catorze anos feitos quando a minha família resolveu regressar definitivamente a Gondoriz. Queriam que eu os acompanhasse, mas eu não aceitei porque apesar de ter muitas saudades da terra eu não queria regressar para a minha terra que não me dava emprego e não me oferecia condições nenhumas. Apenas pobreza.”
Consegue convencer os seus pais a deixá-lo em Lisboa. Por sua conta e risco, Manuel da Silva Martins fica sozinho na capital e, a partir desse momento, é obrigado a crescer. “Tinha-me tornado num pré-adulto porque tive de manter o emprego, de pagar com o meu suor o alojamento, orientando-me completamente sozinho e sem qualquer familiar por perto. Foi um período que me marcou profundamente.”
Nesta luta sem tréguas para melhorar as suas condições de vida, muda de emprego e passa para recepcionista de um hotel. Subiu em categoria e em vencimento.
Faz as inspecções para a tropa, na Câmara Municipal de Terras de Bouro e, em Maio de 1963, assenta praça em Espinho. É mobilizado para o Ultramar tendo embarcado, no dia 23 de Novembro de 1963, para Moçambique, no dia imediatamente a seguir ao dia da morte, em Dalas, do presidente Kennedy. Tete era a província mais quente de Moçambique e também era conhecida como “o cemitério dos brancos”. Atrás do arame farpado, começa um exílio em África longe da família, dos amigos e da sua terra. Para ultrapassar os problemas de desenraizamento, aproveita o tempo disponível. Para isso, “agarra-se” aos livros e começa a satisfazer o seu sonho: estudar. Concluiu com muito bom aproveitamento o 1.º e o 2.º anos do liceu e, aos fins-de-semana, ajuda a formar o grupo de escutismo de Tete (187 Agrupamento de Escuteiros grupo n.º2). De corpo e alma entrega-se ao escutismo e gasta os seus dias de licença organizando e dinamizando acampamentos escutistas.
Em Abril de 1966, regressa, finalmente, a Portugal e retoma o seu trabalho no hotel como recepcionista. Insatisfeito quer estudar, mas este trabalho não lho permite e, por isso, arranja outro emprego com um salário mais baixo, mas com um horário compatível. Quer, apenas, o indispensável para pagar o quarto, a alimentação, o transporte e os estudos. “O vestuário e o calçado passavam para segundo plano. Eram acessórios.” Começa, então, a trabalhar nos Despachantes Oficiais da Alfândega de Lisboa. “Nos primeiros tempos, o que ganhava era muito curto e então tive de recorrer às economias que tinha amealhado, delapidando quase todo o dinheiro que tinha.” Numa escola particular, com vontade firme e incansável começa a estudar à noite e faz, em dois anos, os 3.º, 4.º e 5.º anos do liceu.
Como era Praticante de Despachante Oficial, quando concluiu o 5.º ano do liceu, subiu de categoria na carreira e passou a Ajudante de Despachante Oficial. Deste modo, “tinha melhorado a minha situação financeira e passei a dedicar-me muito mais à minha profissão, mas continuei a pensar que devia continuar a estudar e a aprender.” E, ao abrigo de uma lei especial, que beneficiava os militares que tinham estado no Ultramar, começou a fazer cadeiras dos 6.º e 7.º anos do liceu. “Algumas delas foram feitas como aluno autoproposto, mas tive de parar de estudar porque a exigência profissional passou a ser muito maior. Entretanto, casei em 1970 e a partir daí fiquei em stand by porque era impossível conciliar tudo.”
Com o advento do 25 de Abril, modificaram-se as condições de trabalho de tal forma que passou a ter mais algum tempo disponível para poder estudar. Face a esta nova situação retoma os seus estudos. Começa por completar o antigo 7.º ano do liceu Posteriormente, matricula-se na Faculdade de Economia do ISCTE onde completa o seu bacharelato. Depois, matricula-se no Instituto Superior de Economia onde fez a sua almejada licenciatura.
Confessa-nos que foi muito difícil esta longa caminhada académica. “Não desisti, apesar de ser difícil conciliar o trabalho, a vida familiar e o estudo. Por volta da meia-noite, terminava as minhas aulas e para cumprir com as minhas obrigações de estudante tinha de entrar pela madrugada dentro. Nos dois últimos anos do curso, nem sequer podia jantar. Saía do Aeroporto às 18 horas e a essa mesma hora começavam as aulas na Faculdade. Sem jantar e como chegava atrasado cerca de meia hora passava os intervalos a copiar os apontamentos correspondentes a essa meia hora de aula que eu perdia. Foram dois anos exagerados e difíceis, mas consegui fazer tudo!”
Concluída a sua licenciatura tenta rentabilizá-la, mas não era fácil arranjar emprego por ter já mais de quarenta anos de idade. “Respondia a muitos anúncios, mas era difícil conseguir um emprego. Não desisti, teimei e consegui ingressar, na carreira técnica superior, através de concurso público, onde me mantive até à minha aposentação”.
Depois de se reformar, decidiu continuar a estudar, mas de uma forma bem diferente. Desta vez, decidiu investigar e resultou o livro “Entre o Homem e a Amarela” publicado recentemente. “Sentia que nós, os da margem direita do Rio Homem, parecíamos que não fazemos parte do concelho de Terras de Bouro. Prometi a mim próprio que um dia se haveria de ouvir falar de Gondoriz”.
Confessa-nos que esta sua decisão se deveu, por um lado, ao amor que tem à sua terra e, por outro, a sua freguesia tem um passado muito rico e longo, mas com história. Considera que, ao longo dos anos, a sua terra foi pouco acarinhada e isso não potenciou o seu desenvolvimento. Reafirma que havia uma grande injustiça porque a freguesia de Gondoriz “fora ostracizada”.
“Entre o Homem e a Amarela” demorou-lhe cerca de quatro anos a fazer. Para realizar este trabalho, fez entrevistas, percorreu os lugares todos que foram por si descritos, tendo inclusive atravessado a Serra Amarela, indo de Cutelo a Espanha para conhecer in loco o itinerário do contrabando.
Foram muitas e muitas horas de pesquisa em muitos arquivos. Muitas horas de reflexão e leitura na Biblioteca Nacional de Lisboa, na Biblioteca da Gulbenkian, na Torre do Tombo, nos arquivos da Universidade do Minho, no Arquivo Distrital de Braga, no Arquivo Paroquial de Gondoriz, entre outros.
Para a concretização deste seu projecto refere que foram fundamentais duas pessoas da nossa terra. O Dr. Viriato Capela que se mostrou entusiasmado em conhecer e apoiar o seu trabalho. “Facultei-lhe um exemplar em rascunho e o Dr. Viriato prontificou-se a apresentar a minha obra. Como é da área da História encorajou-me sempre a editá-la.” Também foi importante o presidente da CALIDUM, João Luís Dias, que se mostrou disponível para editar este meu trabalho. “Foi de uma simpatia e de uma amabilidade fantástica que jamais esquecerei”.
Agradece, também à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia de Gondoriz que apoiaram esta publicação com a aquisição de um conjunto significativo de livros.
O Dr. Manuel da Silva Martins é um gondoricense realizado e esclarece que não publicou “Entre o Homem e a Amarela” com o intuito de ganhar dinheiro. O que pretendeu foi divulgar Gondoriz e, também, o nosso concelho que tem potencialidades extraordinárias sobretudo se fizermos o seu aproveitamento turístico.
Terras de Bouro precisa de investimento para se desenvolver, mas sem estragar o ambiente e a vida dos terrabourenses.
Ao Dr. Manuel da Silva Martins muito obrigado por ser um homem que não nega as suas raízes humildes e que tem obra feita divulgadora do nosso património imaterial,
Bem haja a este gondoricense que muito nos honra!
Texto a publicar no jornal “Geresão” a 20 de Janeiro de 2010.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dr. João Antunes: que é feito de si?

O Dr. João Antunes é uma personalidade sobejamente conhecida de todos os terrabourenses. Detentor de um currículo invejável, este homem de grande credibilidade, respeito, talento, inteligência e generosidade foi Vereador da Câmara Municipal de Braga, Presidente da Assembleia Municipal de Terras de Bouro e da Comissão Concelhia do PSD local. Foi, também, Coordenador da Área Educativa de Braga durante mais de 6 anos e, ainda, Presidente do Conselho Directivo da Escola André Soares durante mais de uma década. E mesmo nos períodos mais conturbados, pós 25 de Abril, este honroso terrabourense, com a sua serenidade e trabalho, conseguiu dirigir sem sobressaltos a Escola André Soares. Hoje, reformado, continua muito interessado pelo seu concelho e a merecer a estima, a admiração e a consideração de todos nós.

Aos 70 anos, o Dr. João Antunes, verdadeiro “gentlemen”, mantém o toque de classe que todos nós lhe conhecemos. Actualmente, está reformado e vive dividido entre Terras de Bouro e Braga. Para repousar e para reunir a família, passa a maior parte do seu tempo na “Casa da Cerca”, em Chamoim, principalmente durante o Verão e aos fins-de-semana. Deste modo, mantém aqui as suas raízes e procura fazer com que os filhos e os seus netos sintam também essas raízes. Gosta de viajar e procura fazer, pelo menos, uma viagem por ano.
Ainda antes do 25 de Abril esteve no Ultramar em Angola, juntamente com a esposa. Em Sá da Bandeira (actual cidade do Lubango) e Salazar (actual Ndalatando) foi professor e esteve quase sempre ligado a direcções de escolas industriais e comerciais. Em Angola, nasceram dois dos seus filhos, mas logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 regressou a Portugal, no final do ano lectivo. Para o Dr. João Antunes, Portugal não acautelou a descolonização que era inevitável. Afirma à reportagem do jornal o “Geresão” que quem lá vivia sabia que descolonizar era uma necessidade. Contudo, esta foi mal feita porque resultou num abandono de pessoas, de bens e de História.
Hoje, não pensa visitar Angola porque tem receio de ficar chocado. Sublinha que conheceu este país irmão num período de grande expansão e prosperidade. Mesmo com a guerra colonial o desenvolvimento era possível. Está informado de que Angola está, actualmente, em grande crescimento.
Durante mais de seis anos, foi Coordenador da Área Educativa de Braga. Em sua opinião, a criação das Coordenações teve por princípio trazer o poder de decisão para mais perto das Escolas. Foi uma espécie de “Regionalização do Ensino”. De facto, antes do aparecimento das Coordenações, as Delegações só tratavam, praticamente, dos concursos e das colocações de professores. A delegação de competências nas Coordenações permitiu intervir e apoiar as Escolas do distrito de Braga em variadíssimas áreas. Nessa altura, a Direcção Regional de Educação era um poder que estava entre o Ministério e as Escolas, mas funcionava, muitas vezes, como um “travão” porque complicava. Com a Coordenação de Área Educativa, a ligação podia vir directamente do Ministério da Educação o que melhorou, significativamente, a comunicação. Sublinha que “quanto maior é a estrutura, maior é o ruído e a cadeia de comando é mal interpretada e, muitas vezes, burilada”.
Relativamente ao modelo de gestão das escolas defende o actual. Advoga o modelo do director, mas não o do ditador. Sempre defendeu este modelo porque cresceu dentro dos modelos do director e do reitor e reconhece-lhe aspectos muito positivos.
Conhecedor profundo dos jovens e da Educação, apresentou-nos a sua visão sobre estas temáticas. Para ele, a juventude será sempre, independentemente da época, irreverente e a Educação actual é muito diferente de há umas décadas atrás. Actualmente, o jovem tem mais liberdade, mas a postura contestatária sempre fez parte da essência da juventude. Contudo, considera que as estruturas estão desajustadas e não acompanharam o ritmo educacional dos nossos jovens. O País não se preparou da melhor forma para responder à massificação do Ensino e, em sua opinião, a perda de valores é um problema bem maior do que os problemas económicos.
Como é oriundo do ensino técnico considera-o a melhor forma de Ensino porque os jovens saíam das escolas industriais e comerciais com uma sólida formação. Os denominados quadros médios, desde que sejam competentes, fazem muita falta. Não se pode viver num País com pouca escolarização ou com excesso de licenciados. Mas não tem havido um fio condutor nos diversos Ministérios da Educação e os ministros alteram, constantemente, as políticas da Educação.
Nos dias de hoje, o modelo das estruturas está condicionado pelos resultados, mas o País não precisa do facilitismo. Obviamente que a preocupação das estatísticas não pode conduzir à eficácia.
Considera os nossos Programas Escolares muito teóricos, elitistas e desajustados da realidade actual. Hoje, temos de formar cidadãos com formação escolar e não elites. Afirma que a eficácia do Ensino vê-se quando saírem “as levas”. Aí é que se verá se os dezanoves ou os vintes estão a modificar o País. Mas parece-lhe que não. Pensa que “é certamente mais fácil construir um menino do que consertar um homem”.
No que concerne à divisão administrativa da carreira docente, considera-a um absurdo total porque foi feita uma perspectiva economicista tendo o governo “arranjado esta roupagem”. Relativamente à nova ministra da Educação tem esperança de que não entrará em colisão com a classe docente. Além de ser uma escritora sensível, manifesta carinho pelas crianças, pelos professores e pelas Escolas. A arrogância com esta ministra parece-lhe que acabou definitivamente.
Entretanto mantém-se preocupado com a desertificação do nosso concelho. Sabe que não há fórmulas mágicas para a contrariar, mas podem surgir medidas que a prazo possam parar o êxodo. Criando-se empregos, por exemplo, ou dando-se facilidades na construção de casas poder-se-á alterar a desertificação. Para isso, é necessário melhorar o PDM para que os terrabourenses não vão construir as suas casas para outros sítios. Sempre que isso se verifica o resultado é termos cada vez menos famílias.
Terras de Bouro é uma terra maravilhosa porque temos a Natureza e tudo o que há ainda bom Terras de Bouro tem.
Afirma que as barragens são um benefício para o nosso País. “Temos as barragens e até há bem pouco tempo o concelho produzia energia eléctrica e não a tinha em algumas das suas povoações.” Contesta as políticas dos diversos governos centrais que nem sempre beneficiaram a nossa terra. Acrescenta que “o Parque Peneda-Gerês é mais um organismo a criar obstáculos. É sempre preciso obter o parecer do Parque para se fazer o que quer que seja.” Considera o Parque fantástico e garante que “a população local sempre viu com muito carinho os carvalhos centenários e que a nossa população sempre foi favorável à preservação destas e doutras árvores autóctones.” Por isso, no seu entender “não é necessário formar os terrabourenses para a preservação das suas paisagens” esclarece.
Salienta que as plantações feitas no nosso concelho são muito úteis, mas quando foram feitas alteraram profundamente a vida dos povos que aqui viviam. Estes ficaram sem contrapartidas e, também, sem a pastorícia. A população de Terras de Bouro foi muito prejudicada nos seus valores, usos e tradições. “Mesmo assim o nosso povo foi criado nesta rudeza e pobreza, mas ganhou formas próprias.” Enaltece que somos gente educada, estruturada e boa que tem sido muito sacrificada ao longo dos séculos e que os investimentos nacionais aqui feitos deviam compensar a economia local, mas isso nunca aconteceu.”
Entretanto, o Dr. João Antunes vê o futuro com optimismo. Afiança que esta crise não será eterna e aconselha os responsáveis políticos a saber gerir muito bem os dinheiros públicos investindo-os em obras que tragam retorno.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Dezembro de 2009.