segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VIII Encontro de Cantares de Natal e dos Reis

O município de Terras de Bouro organizou, no dia 7 de Janeiro, o VIII Encontro de Cantares de Natal e de Reis que decorreu na Igreja Paroquial de Moimenta.
O evento contou com a participação de várias instituições locais e alguns grupos corais do nosso concelho que brindaram o numeroso público com actuações alusivas à quadra natalícia, tornando-se num acontecimento que já conquistou um lugar na animação cultural dos terrabourenses.
Sublinhe-se que as participações foram compostas por pessoas de várias idades, incluindo jovens, como “Os Pequenos Cantores de Moimenta”, o que prova que as tradições de Natal ainda perduram entre nós.
Por se tratar de um texto inédito, reproduzimos de seguida a mensagem deixada pelo grupo CALLIDUM que assim reza:
“Outro ano, uma vez mais
Aqui’stamos a cantar
Nesta festa das Janeiras
Para Jesus evocar
Trazemos nova alegria
Melodias, emoções…
Nas palavras, novos versos
Rimas soltas nas canções
Trazemos rios lavados
Espuma branca do mar
Folhas sopradas p’lo vento
Noites lindas de luar
E no olhar, um sorriso
Em ambas as mãos a paz
Trazemos mais um amigo
Ninguém fica para trás
Trazemos lírios do campo
Perfumados p’las manhãs
Urze colhida na serra
Favos de mel e maças
E no olhar um sorriso
Que não se quebrará jamais
Nesta festa das Janeiras
Uma vez mais
Nesta festa das Janeiras
Uma vez mais
(Poema de João Luís)
No final, o presidente da autarquia agradeceu a participação dos vários grupos, entregando-lhes uma placa comemorativa deste encontro e encorajou outras associações a experimentarem a sua participação, não receando a performance dos restantes grupos, pois o espírito do encontro é o da convivência e o de proporcionar momentos de lazer.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Janeiro de 2007.

VI Feira-Mostra de S. Martinho

De 10 a 12 de Novembro, realizar-se-á, na Vila de Terras de Bouro, a VI Feira-Mostra S. Martinho nas Terras do Gerês, uma iniciativa que pretende divulgar os produtos regionais e as potencialidades gastronómicas e turísticas do conselho.
A abertura oficial desta VI Feira-Mostra está prevista para as dezasseis horas do dia 10, com visita das entidades aos diversos stands de venda de produtos locais. Às dezasseis horas e trinta, será disputada uma prova de atletismo e, às vinte e uma horas e trinta haverá animação com Música Pop, encerrando o certame às vinte e três horas.
No dia onze, sábado, às dez horas, abrirá a Feira-Mostra. Às onze horas terá lugar a conferência sobre Agricultura Biológica. Às quinze horas, teremos Tocata de Concertinas pelos tocadores do concelho. Às dezasseis horas e trinta, prevê-se a animação tradicional com desfolhada à moda antiga e o ciclo do linho. Ainda está previsto às dezoito horas o magusto tradicional e pelas vinte e uma horas e trinta, teremos animação musical.
Para o dia doze, o programa prevê a abertura da Feira-Mostra às dez horas, animação de rua, a partir das catorze horas, com a Charanga de Vilar da Veiga. Às dezasseis horas actuará o Rancho Folclórico deCarvalheira, realizar-se-á Magusto Tradicional às dezassete horas, prevendo-se a entrega do certificado de participação e encerramento para as dezoito horas.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Outubro de 2006.

Domingo gastronómico

Promovido pela Região de Turismo do Alto Minho, vai realizar-se no próximo fim-de-semana “O Domingo Gastronómico do Concelho de Terras de Bouro”, constando do cardápio os afamados “Feijões com couves”, acompanhados de diversas carnes do fumeiro e regados com azeite, vinagre e alho, como temperos.
Como sobremesa, haverá a aletria caseira, a rescender a canela, tudo devidamente regado com os verdes branco e tinto da nossa região.
Aderiram a este domingo gastronómico, que costuma atrair até nós inúmeros apreciadores, os restaurantes Adega da Vila, Bem Cozinhado, Lua de Mel, Toca do Caçador e Rio Homem (em Terras de Bouro); Cerdeira, Stop (S. João do Campo); Cantinho do Antigamente (Covide); Vessada (Valdozende); Cávado, Estalagem do S. Bento, O Forno, Rita, Sobreiro (Rio Caldo); Adelaide, Baltasar, Geresiana, Lagoa, Lurdes Capela, Pedra Bela, Hotel das Águas (na Vila do Gerês) e Beleza da Serra, Bodas d’Ouro e Salvador (Vilar da Veiga).
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Março de 2006.

Via Intermunicipal Homem-Lima

A primeira fase do projecto da Via Intermunicipal Homem-Lima iniciou-se, no dia dois de Março, com o lançamento da primeira pedra, na freguesia de Moimenta. António Afonso, Presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro e, José Manuel Fernandes, Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, consideram esta infra-estrutura fundamental para ambos os concelhos, na medida em que contribuirá para fixar a população contrariando deste modo o êxodo rural.
Em 2007, a partir do Verão, quando estiver concluída a nova ponte sobre o rio Homem, diminuir-se-á, consideravelmente, a distância-tempo entre os concelhos de Terras de Bouro e de Vila Verde. É, sem dúvida, um passo de gigante, principalmente para o nosso concelho!
A nova ponte de Pesqueiras, bem como os acessos à Estrada Nacional 205-3 (Terras de Bouro) e à Estrada Municipal 531 (Vila Verde), correspondem à primeira fase da Via Intermunicipal e custarão 2.439.628,00 euros mais IVA.
Lamentavelmente, a Via Intermunicipal Homem-Lima não foi assumida pelo Governo, através da sua inclusão no PIDDAC. É caso para dizer que “os senhores de Lisboa” querem que os concelhos do interior, como o de Terras de Bouro, morram aos poucos. Que “grande lata” quando nos vêm falar de Regionalização e do combate às assimetrias regionais! Pura demagogia política!
Terras de Bouro continuará na periferia do distrito de Braga, mas com as novas pontes, indubitavelmente, que ficará menos isolado. A ponte que nascerá em Pesqueiras e a ponte de Souto dar-nos-ão outro tipo de alento e trazem-nos uma nova esperança. No futuro, que desejo próximo, quando estiver concluída a Via Intermunicipal Homem-Lima já não estaremos, obviamente, tão longe das grandes vias de comunicação. Este encurtar de distâncias de distâncias é indispensável para o nosso desenvolvimento. Nós terrabourenses sabemos que devido, principalmente, a factores naturais nunca conseguiremos atingir o crescimento dos concelhos vizinhos, contudo, não nos furtaremos a esforços para que o nosso concelho progrida. Salvaguardaremos sempre um desenvolvimento feito de forma estruturada e bem pensada para que Terras de Bouro cresça de forma sustentada.
Quando afirmam que Terras de Bouro tem potencialidades imensas, isso já nós o sabemos há muito tempo!
Hoje, o que exigimos é que o Governo contemple com verbas do PIDDAC a segunda fase da Via Intermunicipal, entre a estrada Municipal 531 e a Estrada Nacional 101, na Portela do Vade. Se o fizer, como manda o bom senso, a Câmara Municipal de Vila Verde ficará mais aliviada e nós, terrabourenses, melhoraremos, definitivamente, as nossas acessibilidades.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Março de 2006.

Festa de Santo André

Realizou-se, no primeiro fim-de-semana de Novembro, a tradicional festa em honra de Santo André, padroeiro da freguesia de Moimenta.
No dia 3, teve lugar uma procissão de velas e a noite foi animada por um conjunto musical, encerrando-se este dia chuvoso com uma sessão de fogo de artifício.
Do programa do dia 4, destacou-se a Missa Solene às 10.30 horas, pelas 14 horas um Bazar seguido de um Magusto Paroquial. As festividades foram encerradas com mais uma sessão de fogo de artifício.
Ainda neste dia e imediatamente a seguir ao Magusto Paroquial, o senhor Padre Fernando Bento convidou os presentes a visitar as futuras instalações da creche. Esta nova valência do Centro Social e Paroquial de Moimenta funcionará, a partir de Janeiro, nos fundos da Igreja Matriz.
Entretanto, é de salientar que, no dia 8, se assinalou o dia da Imaculada Conceição, padroeira do Lar e Centro Social e Paroquial, tendo sido celebrada missa seguida de Porto de honra.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Dezembro de 2005.

Terras de Bouro acolhe V Feira-Mostra

A Câmara Municipal realizou a V Feira-Mostra, “S. Martinho nas Terras do Gerês”, nos dias 11, 12 e 13 de Novembro. A Praça de Espectáculos, na Vila de Terras de Bouro, foi o lugar escolhido para receber este evento. A sessão de abertura decorreu no dia 11 pelas dezassete horas e foi feita pelo Presidente da Câmara, António Afonso, que destacou a importância desta iniciativa para a promoção de “produtos inquestionavelmente genuínos e autênticos” do nosso concelho. À noite, o Grupo de Concertinas do Vale do Homem e o debulhar das espigas foram as principais atracções.
No dia 12, os escuteiros de Moimenta, Chorense e da Portela do Vade dinamizaram jogos de animação infantil. À noite, no Encontro de Tunas Universitárias, estiveram no palco a tuna do ESAD (Escola Superior de Arte e Design do Porto), da Escola Superior de Viana do Castelo, da Faculdade de Filosofia de Braga e a “Caricatuna” (do ISAVE da Póvoa de Lanhoso) tendo esta última colaborado na organização deste encontro. Infelizmente, o frio fez com que a Praça de Espectáculos estivesse praticamente vazia.
Na manhã do dia 13, os lavradores do nosso concelho expuseram animais bovinos autóctones e garranos. Logo após o almoço, o desfile de uma junta de bovinos possibilitou às nossas crianças o passeio de carro de bois. Também houve para os mais pequenos passeio de charrete puxada por um pónei.
A Banda de Carvalheira tocou e encantou apesar do frio. Depois, foi a vez de estar no palco o Rancho Folclórico de Paradela (Valdozende) que recreou, e bem, as nossas cantigas e danças tradicionais.
Para o ano, se S. Pedro nos quiser ajudar dando-nos o Verão de S. Martinho, não teremos de comer a castanha da padaria e quem sabe se possa realizar o passeio equestre e, também, possamos assistir aos jogos tradicionais. Contudo, a organização esteve à altura desta feira, mas o frio e a chuva são imponderáveis que ninguém pode contrariar.
Esta exposição e venda de produtos do concelho e de outras regiões trouxe, à nossa Vila de Terras de Bouro, muitos forasteiros que puderam visitar dezenas de stands onde estavam expostos produtos artesanais, agrícolas, regionais e biológicos. Para além das quadras, lendas e provérbios de S. Martinho, também foi possível assistir ao vivo ao ciclo do pão e ao ciclo do linho.
Nos anos anteriores, os stands deste certame foram colocados ao longo da Avenida Paulo Marcelino e também em frente aos paços do concelho. Relativamente à localização desta V Feira-Mostra as opiniões dividem-se: uns aprovam-na e outros não. As vozes mais discordantes foram as dos donos dos cafés e restaurantes que acusaram a Câmara de autismo. As vozes discordantes afirmaram que não compreendem os gastos feitos com a iluminação, na Avenida Paulo Marcelino, considerando-os um despesismo desnecessário porque não foram lá instalados os stands desta feira. Exigem ser ouvidos na localização dos eventos, para que de facto se promova também a indústria de restauração fundamental para o desenvolvimento do concelho.
Entretanto, esperemos por melhores dias e também pela próxima Feira-Mostra para que as caixas registadoras não fiquem tão vazias.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Novembro de 2005.

S. Martinho e Orientação animam Terras de Bouro

Nos dias 10, 11 e 12 de Novembro, realizou-se, na Vila de Terras de Bouro, a VI Feira-Mostra “S. Marinho nas Terras do Gerês”. Com esta iniciativa, promovida pela Câmara Municipal de Terras de Bouro, pretendeu-se divulgar, principalmente, o artesanato, os produtos agrícolas e a gastronomia da região.
Este ano, os stands da VI Feira-Mostra não foram colocados na Praça de Espectáculos, mas regressaram, para satisfação dos comerciantes locais, ao centro da vila. Com esta nova localização, na Avenida Paulo Marcelino e nos Paços do Concelho, a Autarquia revelou bom senso e respeitou, principalmente, os interesses da indústria de restauração fundamental para o desenvolvimento do nosso concelho. De facto, este ano os comerciantes não podem queixar-se, tal como no ano transacto, de verem as caixas registadoras mais magras, apesar de estarem menos stands neste evento.
Com a presença de 600 participantes, no mesmo fim-de-semana de S. Martinho, teve lugar “O Grande Prémio de Orientação”, em Santa Isabel do Monte. Com esta prova, organizada pelo Clube de Orientação do Minho e pontuável para a Taça de Portugal da Federação Portuguesa de Orientação, pretendeu-se divulgar e dinamizar esta modalidade que ganha cada vez mais participantes.
Para além de se praticar uma actividade física e desportiva, esta prova constitui-se como mais uma boa oportunidade para a divulgação do nosso concelho e, em particular, da beleza natural de Santa Isabel do Monte. Esta aldeia situada num planalto a 900 metros de altitude, vai conservando intactas a maior parte das casas de granito seculares e o ambiente rural característico das antigas aldeias portuguesas.
Bem haja ao Clube de Orientação do Minho por ter escolhido o nosso concelho!
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Novembro de 2006.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Senhor “engenheiro”!

Em entrevista à SIC, o senhor “engenheiro” José Sócrates admitiu pela primeira vez que a economia portuguesa não deve escapar à recessão, à semelhança do que está a suceder por todo o mundo. Se durante muito tempo o senhor “engenheiro” afiançou aos portugueses que a crise não existia, nesta entrevista foi-lhe impossível manter esta garantia porque, infelizmente, a situação que o nosso país atravessa é gravíssima e muito anterior à anunciada crise internacional.
Na entrevista dada à SIC, faltou ao o senhor “engenheiro”, por falta de argumentos, a arte e o engenho para se desculpar. O senhor “engenheiro” não foi capaz de encontrar as razões que justificam a má situação económica do país, o aumento do desemprego e o agravamento da profunda crise social.
Relativamente ao desemprego, o site do IEFP informa que, no final de Novembro, 408.598 pessoas continuavam registadas, nos centros de emprego, como desempregados, mais 2,9% do que há um ano atrás. O despedimento unilateral foi, em Novembro, a causa da inscrição de mais de 10.500 pessoas, o que representa um aumento homólogo de 54%. Também os despedimentos por mútuo acordo aumentaram, nesse mês, 60% para mais 1384. O aumento do fluxo de novos desempregados verificou-se em todas as regiões do País, com o Norte (+28%) e Lisboa e Vale do Tejo (+27,4%) a registarem em Novembro as maiores variações homólogas. O Norte é a região que mais contribui para o número de inscritos.
Se a contracção da economia portuguesa se vai prolongar durante todo o ano de 2009, acarretará, irremediavelmente, implicações “dramáticas” na vida dos portugueses, principalmente a nível do emprego. A produção, inevitavelmente, decrescerá e os rendimentos, em geral, também decrescerão e teremos, portanto, a quebra dos proventos e o aumento do desemprego porque reduzindo-se a produção reduzir-se-ão também os postos de trabalho.
Só dando prioridade à actividade económica é que se conseguirá defender o emprego e apoiar os desempregados. Esta devia ser a preocupação do senhor “engenheiro antes de pedir aos Portugueses que o mantenham no “poleiro”. Na entrevista dada à SIC, José Sócrates, em nome das actuais circunstâncias e da estabilidade política e governativa, apelou à maioria absoluta por a considerar importante para Portugal. Treta! Pura conversa de treta!
Senhor “engenheiro”, nós Portugueses precisamos urgentemente de saber qual é a sua resposta para minizar os efeitos da crise na realidade social!
Senhor “engenheiro”, nós Portugueses queremos saber de que forma vai travar o crescimento da pobreza e dos focos de fome!
Senhor “engenheiro”, a situação em Portugal não será muito mais grave do que aquilo que tem vindo a público dizer?
Senhor “engenheiro”, não estaremos perante um descalabro total depois de exigir tantos e tantos sacrifícios aos Portugueses?
Entretanto, o senhor “engenheiro” José Sócrates não responde e quando o faz vai branqueando as suas responsabilidades. Deste modo, o senhor “engenheiro” consegue resistir à crise económica, às manifestações em massa e aos escândalos na Banca. E com um PSD pouco firme que caminha sabe-se lá para onde, o senhor “engenheiro” José Sócrates lá vai passeando a sua arrogância enquanto cresce a angústia e a incerteza quanto ao futuro.
E sem alternativa credível, os Portugueses sonham com um novo D. Sebastião e vão alimentando os tiques de autoritarismo deste governante sabe-se lá até quando!
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Janeiro de 2009.

A Saúde que temos!

Quando se recorre pela primeira vez à urgência de um hospital, espera-se que o médico (que nós reverenciamos e a quem chamamos doutor) seja um elemento indiscutivelmente fundamental no atendimento ao paciente. Infelizmente, isso não acontece porque uma “doença” típica dos nossos hospitais e centros de saúde é o trabalho que, muitas vezes, é feito num corre-corre. Então, sentimos na “pele” que o relacionamento com o pessoal da Saúde nem sempre é o melhor e, inúmeras vezes, até chega a ser desumanizante. A verificação desta realidade passa pela linguagem vulgarmente utilizada, pela falta de tempo para ouvir e compreender o doente e, acima de tudo, pela frieza e indiferença perante situações que deveriam ser tratadas de um modo afectivo.
Não é o medico-técnico que importa, este tem de aliar-se, indissoluvelmente, ao homem médico. Para isso, deverá saber ouvir e falar, pois perante si está um ser humano que merece todo o respeito. Diagnosticar com responsabilidade, deve ser, também, uma exigência constante, para que o mau profissionalismo não possa causar males irreparáveis ou provocar situações que ponham em causa a integridade física de todo aquele que tem pleno direito à Saúde.
É na consideração pelos valores humanos que deve fundamentar-se toda a conduta médica. Dedicação ao seu doente, ultrapassando sempre atitudes formais ou técnicas, obviamente necessárias à qualidade de médico, deve ser, não uma excepção, mas um modelo a seguir por todos.
Parece haver falta de formação cívica e ética no seio da classe. A deontologia profissional exigida pela Ordem dos Médicos a todos os seus elementos tem sido praticamente desprezada e o resultado está à vista!...
São muitas as queixas daqueles que recorrem ao serviço público de Saúde. As notícias de negligência médica sucedem-se, mas em Portugal, para não variar, nunca são encontrados e responsabilizados os culpados!
O estado em que se encontra a nossa Saúde é deplorável. É necessário reflectir e encontrar medidas adequadas à sua dignificação. Todos sabemos que melhorando é que podemos erradicar “os males” da nossa Saúde.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Abril de 2006.

Na VIII Feira, bois não ganham para o susto!

Nos dias 7, 8 e 9 de Novembro, realizou-se na Vila de Terras de Bouro a VIII Feira-Mostra “S. Martinho nas Terras do Gerês”. Este certame, que já vai na oitava edição, propõe-se divulgar o artesanato, os produtos agrícolas e a gastronomia do nosso concelho.
Este ano, tal como vem sendo habitual, esta Feira-Mostra não foi muito diferente das anteriores. Exceptuou-se a “Corrida de Cavalos” que costuma atrair “um mar de gente”, mas não teve, talvez por culpa de S. Pedro, a multidão do ano transacto. Deste evento quero realçar, pela positiva, a divulgação do Curso Profissional de Técnico de Turismo Ambiental e Rural e, pela negativa, a “Chega de Bois”.
A Escola EB 2,3/S Padre Martins Capela apresentou um “stand” para a divulgação do Curso de Técnico de Turismo Ambiental e Rural que tem por finalidade formar técnicos intermédios de nível III altamente qualificados para participar na aplicação de medidas de valorização do turismo em espaço rural, executando serviços de recepção em alojamento rural e de informação, organização e animação de eventos. O aluno que conclua toda a formação com aproveitamento obterá um Certificado de Qualificação Profissional nível III que lhe dará a equivalência ao 12.º ano, permitindo-lhe o ingresso no mercado do trabalho ou o acesso ao ensino superior.
Esta oferta formativa possibilitará aos formandos as seguintes saídas profissionais: gestão de unidades de turismo em espaço rural; departamentos sócio-culturais das câmaras municipais; atendimento nos serviços de turismo, agências de viagem; parques de campismo, pousadas de juventude, parques naturais e marinas; e empresas ou associações de acompanhamento e animação cultural e/ou desportivas.
De facto, para a sobrevivência do nosso concelho temos de apostar no turismo em espaço rural para criarmos um novo fôlego no desenvolvimento local e evitarmos a desertificação. Precisamos de criar cada vez mais serviços e actividades relacionadas com a natureza como, por exemplo, os trilhos pedestres (uma boa aposta), para atrairmos cada vez mais turistas.
A “Chega de Bois”, no dia 9 de Novembro, atraiu muita gente, mas os bois, caprichosamente, não quiseram colaborar. A pequena multidão, concentrada no campo do senhor Paulo Antunes, esperou em vão para ver as cabeças dos bois a marrar estrondosamente. Mas estes bois foram frouxos e contrariaram a regra geral: sempre que são colocados frente a frente, os bois concorrentes iniciam "uma dança" que se prolonga mais ou menos no tempo, dependendo da força de cada animal, e durante a qual investem, enfrentando-se com violência, entrelaçando os chifres, afastando-se e voltando ao confronto. Mas para frustração dos espectadores, as bestas “não se pegaram”. O público que não arredava pé esperou, pacientemente, pela luta mais de uma hora. Os “chegadores” tudo fizeram para consumar a “chega”. E com a impiedosa força das varas de marmeleiro, dispuseram os bois, no “campo de batalha”, primeiro aos pares e por fim juntaram os três bois lutadores. Mas nada! Quem já assistiu a eventos semelhantes sabe que estas lutas poderão atingir contornos imprevisíveis. Felizmente, neste "chegódromo" improvisado e sem condições de segurança, a assistência não teve de “fugir a sete pés”. Infelizmente, há somente a registar a queda da roda traseira de um dos camiões de transporte das bestas num enorme buraco, na Rua da Rêga. O camião que transportava dois dos bois ficou imobilizado e encostado a uma árvore e com o semi-eixo apoiado no chão. Mas sem retroescavadora e graças à ajuda de populares e de um “todo terreno” lá se conseguiu retirar o camião. Este aqueduto, onde já caíram alguns motoristas incautos, espera uma tampa desde que foi feita a obra de calcetamento da rua, já lá vão cerca de oito anos! É caso para dizer que desta vez os bois não ganharam para o susto! Esperemos que este aqueduto, por desleixo, não pregue qualquer dia a partida de “engolir” uma criança!
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Novembro de 2008.

Ponte de Pesqueiras abre ao trânsito

No dia 23 de Setembro, com a presença dos presidentes das Câmaras Municipais de Terras de Bouro e de Vila Verde, António Afonso e José Manuel Fernandes, respectivamente, a “Ponte de Pesqueiras” foi aberta, pela primeira vez, ao trânsito.
A construção desta infra-estrutura rodoviária constitui a primeira fase da Via Intermunicipal que prevê, esperemos num futuro próximo, a ligação à A3 em Ponte do Lima.
Este projecto foi financiado pelo Fundo Social Europeu de Desenvolvimento Regional e custou, contando com expropriações e terrenos, três milhões de euros. De acordo com os edis “a cada autarquia coube 25% do investimento total”.
A construção da ponte e dos respectivos acessos, primeira fase da Via Intermunicipal Homem-Lima, só foi possível graças à parceria entre os dois municípios que em estreita cooperação suportaram a componente Nacional deste investimento.
A “Ponte de Pesqueiras”, com 135 metros de comprimento e 42 metros de altura, poderá potenciar o desenvolvimento económico e social do Vale do Homem e enquadra-se numa estratégia intermunicipal que inclui também a Ponte de Souto.
Sendo uma obra demasiado importante não pode ser esquecida pelo Governo a quem compete assumir definitivamente este projecto. Os municípios de Vila Verde e de Terras de Bouro não devem substituir-se a esta obrigação do Poder Central que deverá combater as assimetrias regionais deste País. Para além de ser uma via fundamental para o Norte de Portugal e, em particular, para o desenvolvimento dos concelhos de Terras de Bouro e Vila Verde, esta infra-estrutura contribuirá para o combate à desertificação, principalmente, do nosso concelho.
Ainda não há data marcada para a sua inauguração oficial. Entretanto, mantém-se o diferendo entre o empreiteiro e o projectista por causa da queda de um muro de suporte à via. Logo após a travessia da ponte, e já no concelho de Vila Verde, a passagem na estrada está estrangulada não oferecendo as melhores condições de segurança. Mas se os condutores respeitarem a sinalização, certamente, que não acontecerá acidente nenhum. Contudo, as autoridades devem estar atentas ao exagero de velocidade de alguns automobilistas que mesmo sem “tunning” ultrapassam os limites de velocidade legalmente previstos.
A “Ponte de Pesqueiras” aberta a automobilistas e a peões é o culminar duma antiga e legítima aspiração dos povos do Vale do Homem. Vem com muitas décadas de atraso, mas é, sem dúvida, a obra que maior impacto vai ter na nossa região.
As populações de Terras de Bouro e de Vila Verde estão de parabéns e acredito que esta travessia trará desenvolvimento à nossa Terra.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Outubro de 2008.

Jogador de Futebol

No dia 8 de Junho, na página 10 do “Jornal de Notícias”, anunciava-se: “Oferta formativa 2008/2009, Terras de Bouro”. Este anúncio que ocupava um quarto de página do supracitado jornal publicitava os cursos que a Escola Profissional “Amar Terra Verde” oferecerá para 2008/2009 no nosso concelho. Tudo, aparentemente, normal se não fosse a oferta formativa do Curso de Educação e Formação T2 – Jogador de Futebol.
Este curso não sei a que se destinará? Talvez a distinguir a bola do árbitro ou o apito dourado do azul ou do verde!
Indubitavelmente que os nossos jovens jogarão à bola e obterão a equivalência do 9.º ano. Grande aposta!
Sem dúvida que este curso não oferecerá as competências essenciais e estruturantes e, também, os tipos de experiências de aprendizagem que devem ser proporcionadas no ensino básico aos nossos jovens.
Enfim, parece uma anedota...
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Julho de 2008.

A “nossa funciolândia”

Na “nossa” “funciolândia”, verifica-se a existência da “principelândia”, da “gastolândia”, da “chefolândia”, da “porreilândia”, da “grosselândia” e da “promiscuilândia”…
Fim à “gastolândia” porque é tempo de limitarmos os poderes dos “príncipes” que nas diversas repartições e serviços contribuem, por má gestão e laxismo, para o despesismo desmesurado da nossa “máquina” do Estado. Os gastos excessivos aliados a alguma corrupção são um cancro que mina a “saúde” da nossa sociedade e que vai corroendo, cada vez mais, a confiança dos cidadãos nas instituições. Cabe a todos nós, especialmente aos que assumem posições de responsabilidade, combater este flagelo de forma determinada… Acabe-se com esta moléstia para que a “funciolândia” não “coma” metade daquilo que o país produz! Tal como as ervas daninhas, “mama-se” o dinheiro dos nossos impostos, que depois, certamente, não chegará para pagar reformas condignas! Como os impostos não são elásticos, resta-nos confiar no crescimento económico e na redução da despesa pública prometida por Sócrates. Esperemos para ver…
“Chefolândia” porque temos a mania dos chefes, dos subchefes, dos chefes dos chefes e de outros chefes que, às vezes, não têm ninguém para chefiar. Para chefiar não será preciso perfil?… Não. “Tu passas a chefe!” Faz-se uma chancela e empoleira-se mais um chefe! Pura mentalidade tribal! Não. É a meritocracia cíclica: “chegou a minha vez”. Resultado: o chefão não exige o respeito pelas hierarquias e, às vezes, a empregada de limpeza manda mais do que ele próprio!
“Porreilândia” quando meia dúzia de estarolas pedem uma carrinha e vão à Golegã a uma feira de cavalos. “Nós metemos o gasóleo!”… Graças à ferradura, de facto, não houve qualquer problema! Quantos quilómetros custou esta extravagância? Que observação mais patética!...
“Grosselândia” sempre que o utente, o munícipe, o cidadão ouve com desdém e arrogância: “Já lhe disse para vir noutro dia!... Não sabe ler?! Quem manda aqui dentro não é você, sou eu!... Não estou para o aturar”… Mas que deferência! Na “funciolândia” formação precisa-se!
“Promiscuilândia” quando nos computadores de algum serviço público estão pastas e ficheiros, por exemplo, duma Junta de Freguesia… Quando chegará o asseio aos computadores?
“Italianização” e “omnissacaria” por favores e jeitos duvidosos. Para quando atitudes severas e rigorosas. Operações “Sacas Limpas” precisam-se?...
Com uma máquina calculadora e com a ajuda da Matemática poderemos verificar a “gastolândia” que vai sendo apanágio de alguns dos “boys” desta "sociedade democrática". Os exemplos seriam muitos para ilustrar o esbanjamento de dinheiro: a luxuosa frota automóvel com os respectivos custos de manutenção, os telemóveis, as despesas de representação e por aí fora… Benesses e mais benesses… Para se conhecer a soma desta “gastolândia” seria necessário fazer-se uma adição com muitas parcelas. Resultado: uma soma astronómica!
Tal como Eça de Queiroz afirmou em “Uma Campanha Alegre “a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o País está perdido. Ninguém se iluda. Diz-se nos Conselhos de Ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de norte a sul, no Estado, na economia, na moral, o País está desorganizado – e pede-se conhaque!Assim, todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão”.
Em que deferimos da época de Eça de Queiroz?
Hoje, para além dos quadros excedentários na “funciolândia”, só temos a mais, seguramente, o correio electrónico, a Internet e as ajudas da Europa.
Para resolver muitos dos problemas, principalmente, o espírito corporativista que teima em encobrir, por exemplo, o amontoar de serviço, devemos debater com frontalidade o que se tem de mudar na “funciolândia”, como se vai mudar e quem vai pagar a mudança, para que Portugal não seja corroído pela “gastolândia” exagerada e descontrolada em que foi caindo. Gastar continuamente não nos é mais possível!
É tempo de reformarmos o modelo profissional da “funciolândia” que tem muitos anos e que não serve os interesses do Estado. Para isso, queremos “mão pesada” para todos aqueles “funciolândios”que de profissionais não têm nada e que teimam na prestação de um mau serviço público.
Acredito que na Função Pública o reconhecimento do mérito comece a fazer parte integrante das diversas carreiras. Por um lado, promover-se-á a comunicação eficaz entre as hierarquias e, por outro lado, fomentar-se-á o desenvolvimento profissional dos recursos humanos. Hoje, em alguns sectores, já se vai exigindo, entre outras, o estrito cumprimento das regras da assiduidade e de pontualidade.
Entretanto, o “sapatinho” dos funcionários públicos vai ficando cada mais pequenino e, infelizmente, adivinham-se dias bem piores.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Janeiro de 2007.

Iluminação de Natal

Com já vem sendo habitual, neste Natal, a Câmara Municipal apresenta, na Avenida Paulo Marcelino, uma iluminação de Natal elegante.
O aproveitando das árvores existentes continua a ser feito com bom gosto criando-se uma harmonia e um brilho multicolor dignos de registo.
Publicado em 2o de Dezembro de 2008

Habitação social

Na luta contra a pobreza já foi feita pela Câmara Municipal, na freguesia de Moimenta, um trabalho meritório, nomeadamente no bairro do Bandoneiro.
Contudo, ainda há neste bairro uma família a necessitar do apoio dos Serviços Sociais da Autarquia. Aproxima-se o Natal e convém lembrar que, no Bandoneiro, há um casebre terceiro-mundista onde vive uma família sem qualquer conforto à espera de uma habitação social. A inexistência de casa-de-banho, por exemplo, que obriga os que lá moram a fazer o “xixi” e o “cocó” num balde, combinadas com a falta de espaço e com a humidade excessiva tornam as condições de vida difíceis para essa família.
Como todo o homem é nosso irmão e estamos na quadra natalícia será nobre não esquecer que há um casitéu onde vive uma família a precisar de solidariedade e de ajuda.
Realizou-se, no primeiro fim-de-semana de Novembro, a tradicional festa em honra de Santo André, padroeiro da freguesia de Moimenta.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Dezembro de 2005.

Cantares de Natal e Janeiras em Terras de Bouro

Realizou-se, no dia oito de Janeiro, o VII Encontro de Cantares de Natal e Janeiras, na vila de Terras de Bouro.
Esta iniciativa que já vai na sétima edição teve lugar na Igreja Matriz de Santo André que se encheu para acolher esta iniciativa da Câmara Municipal de Terras de Bouro.
A abertura deste VII Encontro foi feita às quinze horas pela Banda Musical de Carvalheira. Depois, seguiu-se depois o Grupo Coral da Igreja Metodista de Valdosende, o Grupo Coral de Cibões, Pequenos Cantores de Moimenta, Grupo Coral de Chorense, a URZE, o Grupo coral de souto, o Grupo Coral de Vilar, CALIDUM Grupo de Autores Minhoto-Galaicos, Grupo coral de Moimenta, Associação de Paradela Valdosende e Núcleo Rio Homem.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Janeiro de 2006.

Terras de Bouro: intervenção no Centro Cívico

A Câmara Municipal iniciou em Dezembro último uma intervenção no Centro Cívico da vila com vista ao melhoramento desta infra-estrutura que se encontrava muito degradada. A mudança das telas dos terraços da cobertura deve pôr, certamente, termo à infiltração da água das chuvas e às humidades bem visíveis nos tectos. Contudo, devido à elevada precipitação da nossa região, a melhor solução talvez fosse colocar um telhado em todo o edifício. A arquitectura existente faz lembrar as açoteias algarvias que são bem úteis nessa região para o aproveitamento das águas das chuvas.
Como Terras de Bouro não se localiza no Algarve, confiemos nos serviços técnicos da Autarquia para que o problema da infiltração da água pelos terraços fique definitivamente resolvido.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Janeiro de 2006.

O tradicional vai morrendo aos poucos

José Maria da Rocha, mais conhecido pelo senhor Rocha foi um exímio jogador do pau. Este terrabourense nasceu em 19 de Março de 1929 no lugar do Assento na Freguesia de Cibões. Com apenas 9 anos de idade foi servir como moço de lavoura para a freguesia de Santa Isabel do Monte onde lhe pagavam um salário anual de 300$00. Com 13 anos vai trabalhar para a casa do Feixa, em Vilarinho da Furna, e vê o seu salário anual aumentado para o dobro. Em Vilarinho, as suas principais tarefas eram regar os campos de milho e guardar as cabras na serra. Aos 14 anos decidiu encontrar melhor sorte em Lisboa. Na capital, começou como ajudante de cozinha numa pastelaria de fabrico para revenda. Mais tarde foi trabalhar para a pastelaria Áurea, na rua do Ouro, e a seguir trabalhou na pastelaria Marques na Avenida Almeida Garrett. Foi com colegas seus da cozinha que aprendeu a assinar o seu nome porque na sua infância não havia escola.
Inicia a sua actividade de cozinheiro propriamente dita no Hotel Florida onde permanece até a ida para a tropa. Cumpre o serviço militar na Base Aérea nº1 de Sintra e volta ao Hotel Florida. Volvidos três anos, muda para o Hotel Espadarte em Sesimbra e mais tarde para o Hotel Turismo da Ericeira. Esta itinerância nunca se deveu ao facto de não gostar de trabalhar nestes locais ou de ser preguiçoso, mas à procura de melhor salário. Foi somente em 1951 que obteve os seus primeiros oito dias de férias. O senhor Rocha trabalhou como cozinheiro ainda noutros locais e chegou a viver a aventura da emigração em França durante cerca de sete anos.
Hoje, na reforma ajuda e apoia a sua esposa que devido a um glaucoma praticamente se encontra cega.
O senhor Rocha confidenciou à reportagem do “Geresão” que a reforma de França, com descontos apenas de sete anos, é bem maior do que a reforma portuguesa. “Após 38 anos de trabalho na indústria hoteleira, a pensão de França é mais do dobro que a pensão da hotelaria”.
Afirma com tristeza que “a freguesia de Cibões está envelhecida, as casas dos lavradores estão vazias, as alfaias agrícolas estão paradas e os campos ao abandono. Dantes era gente por todo o lado, agora é uma miséria.” No entanto, considera que há actualmente aspectos positivos “porque temos luz, telefone e estradas.” Insiste em comparar o passado com o presente: “Dantes era tudo cheio de gente. Agora, toda a gente foge. A lavoura não dá quase nada. Uma profissão que vai dando ainda é a de cozinheiro, mas tem que se fugir daqui.”
Foi em Santo António de Missões da Serra que o senhor Rocha aprendeu a jogar o pau com José Pelote e também com o João Quinteiro de Bergaço. Queixa-se da falta de reconhecimento. “Nunca foi feita uma homenagem a qualquer um dos jogadores de pau do nosso concelho e nunca nos deram a conhecer. O João Quinteiro foi para mim o maior jogador do nosso País.”
Em Lisboa, na década de 50 o senhor Rocha inscreveu-se no Atelier Comercial tendo recebido aulas do mestre Domingos Miguel e do contramestre António Antunes Caçador. Frequentou esta escola durante 30 anos. Fez demonstrações no Estádio da Luz, nas festas de Vila Franca de Xira no Pavilhão dos Desportos, e em muitos outros locais.
Actualmente ainda recebe inúmeros convites para fazer demonstrações, mas as pernas já não o ajudam.
O senhor Rocha fez questão de mostrar à reportagem do “Geresão” a sua infindável colecção de varas. São às dezenas. Há varas para todos os gostos. Umas são de lodo, outras de junco e outras de marmeleiro. Parte delas foram feitas pelas suas mãos. “A protecção de metal que as varas têm nos extremos são para não esgaçarem”, explicou o senhor Rocha.
No que concerne ao jogo do pau esclarece que “isto não é um jogo de pau, mas esgrima do pau nacional que já vem do tempo do rei D. Carlos (finais do século XIX e princípios do século XX).”
Foi há 26 anos atrás que criou, na vila de Terras de Bouro, a convite do Presidente da Câmara Municipal, José Araújo, a escola do jogo do pau que veio a funcionar regularmente durante oito anos. Esta escola terminou, apesar do número sempre elevado de alunos, devido ao problema de artroses que começaram a limitar a sua mobilidade. “Porque as voltas que o pau dá por cima no ar, as pernas têm que dar as mesmas voltas por baixo.” As pernas mataram-lhe outra das suas grandes paixões: a caça porque não lhe permitem longas caminhadas pelos montes de Cibões.
“Foram oito anos de professor”, recorda com saudade. Mobilizou muitos jovens terrabourenses para a prática do jogo do pau. No nosso concelho e noutros locais, o senhor Rocha e os seus pupilos fizeram inúmeras exibições. Recorda-se com carinho de todos os seus alunos e destaca o Luís da Souta e o Álvaro do Pereirinha que eram jovens muito empenhados e assíduos.
Jogou o pau com indivíduos de Espinho, Melgaço, Sesimbra e de outras localidades do nosso País e foram muitos os episódios caricatos. Uma vez jogou o pau com um indivíduo chamado Adelino Barroso na vila de Terras de Bouro. Foi num dia de feira, na “Leira do Sousa”, por debaixo do Escola Padre Martins Capela depois desse indivíduo o ter desafiado. O Adelino Barroso atirou-se muito impetuoso e o senhor Rocha foi desviando o seu corpo das varadas. Deixou-o entusiasmar-se e o resultado “foi ter rachado a cabeça ao Adelino Barroso com uma boa varada”.
Uma outra vez estava a jogar o pau com um indivíduo que lhe atirou uma varada, conseguiu desviar-se, mas o outro jogador cortou-lhe o cinto com a pancada.
Muitas vezes chegou a estar cercado por quatro ou cinco homens, mas defendeu-se sempre “porque as pernas ajudavam”.
O senhor Rocha aconselha a nossa juventude a valorizar o que é tradicional e aprender o jogo do pau. “O jogo do pau faz parte da nossa tradição e pode ser usado em legítima defesa. Mas, hoje, não há quem queira aprender a tocar cavaquinho, por exemplo, ou aprender outra coisa qualquer. O que é tradicional, infelizmente, vai morrendo aos poucos.”
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Janeiro de 2006.

Força, Padre Bento!

A nova Creche de Moimenta, com capacidade para acolher vinte crianças, inaugurada no final de Fevereiro, custou 256.253 euros. Este projecto teve comparticipações de fundos comunitários e nacionais, mas mais de cento e vinte e três mil euros foram suportados pelo Centro Social.
No dia da inauguração, o senhor padre Fernando Bento prometeu “um serviço de primeiríssima qualidade” e afirmou que “são equipamentos como este que fomentam a natalidade e fixam as populações permitindo também uma maior socialização e desenvolvimento das capacidades das crianças”.
Há uns anos atrás, ninguém ousaria pensar que, por iniciativa religiosa, a paróquia de Moimenta viesse a dispor de novas valências. Mas graças ao dinamismo e ao espírito empreendedor do nosso pároco, Fernando Bento, as grandes obras foram surgindo. Das suas principais iniciativas, destaco a construção da Igreja Matriz, o ATL que funciona há oito anos e o Lar de Idosos. Este último, como não oferece as condições necessárias, devido sobretudo à existência de barreiras arquitectónicas, já tem projecto e orçamento de um milhão e duzentos e cinquenta mil euros. É uma questão de tempo! Conhecendo o espírito empreendedor do senhor padre Fernando Bento, dia menos dia, Moimenta beneficiará de um novo Lar de Idosos.
Labor desinteressado e determinação – são algumas das palavras que eu julgo ser significativas para compreendermos o espírito do nosso pároco que nós, felizmente, temos a sorte de ter. “O querer é tudo na vida. É a vontade que move montanhas”, eis o retrato daquele que serve com abnegação a freguesia de Moimenta. Servir a paróquia, seguindo princípios inabaláveis, com uma mentalidade e vontade “férreas” aliados à seriedade, honestidade, amizade e altruísmo, eis os valores deste pastor que procura o bem-estar “do seu rebanho”.
Força, Padre Fernando Bento! Um grande bem haja!
Publicado em Março de 2006

Liberdade religiosa

Todos os homens têm o dever de procurar a verdade, principalmente no campo religioso, sendo por isso falso afirmar-se que a religião é de importância secundária, sem relevância nas relações humanas.
Desta premissa resulta que nenhum homem ou lei deve opor-se à busca e reflexão incessante em torno do sentido e do fim da existência humana.
Na Antiguidade, apenas uma minoria tinha o nome de “homem livre”. Hoje, todos os homens se pretendem ou são pretendidos livres. Assumiu-se, eficazmente, na nossa sociedade a protecção da liberdade de consciência, de crenças e de cultos. O poder civil tem procurado garantir a liberdade religiosa, com leis justas e outros meios aptos, de modo a que os cidadãos possam, na realidade, exercer os direitos de religião e cumprir os seus deveres de crentes. A liberdade de exprimir a fé, de forma individual ou colectiva, em particular ou em público, por via oral ou escrita, utilizando inclusive os meios de Comunicação Social; a liberdade de associar-se e de promover instituições nas quais os crentes possam entreajudar-se no sentido de ordenarem a sua vida segundo os seus princípios religiosos; liberdade das várias religiões existentes ensinarem as suas doutrinas e dos pais poderem educar os filhos de harmonia com as suas convicções religiosas, nas escolas ou por outros meios de educação das suas escolhas.
A liberdade religiosa tem como contrapartida a obrigação de todos respeitarem as crenças alheias, evitando ridicularizá-las ou ferir a sensibilidade de quantos as professam.
O verdadeiro cidadão é aquele que tem consciência dos seus valores e respeita os valores dos outros. Este é um requisito fundamental a considerar na nossa conduta. Só assim sairemos sempre valorizados. Todos temos obrigação de saber que ter um espírito de constante abertura e tolerância possibilita uma vida em harmonia.
A imposição não tem lugar numa sociedade livre. Muito menos na nossa.“Ter escravos não é nada – afirma Diderot – o que é intolerável é ter escravos chamando-lhes cidadãos”. Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Dezembro de 2006.
Publicado no jornal o "Geresão" em 20 de Maio de 2006.